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Primeiro de Dezembro 2025

10 min readDec 2, 2025

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A COP30 foi um Sucesso? SIM e… não!

De todas as COPs até hoje, essa 30ª foi a melhor em todos os sentidos e áreas. Vai ficar na história! Isso não quer dizer que os problemas não existiram ou que não poderia ter sido melhor.

Para entender a grandiosidade do que foi e seus efeitos para o futuro, é preciso entender que a COP30 vai muito além da Blue e Green Zone da ONU. Ela abraçou a cidade Belém com milhares, sim milhares, de eventos de altíssimo nível liderados pela sociedade civil. Depois de três COP realizadas em Petro Estados, que proibiram a participação da sociedade civil, o Brasil foi palco do maior evento pró sustentabilidade/regeneração do mundo. A Cultura, necessária para uma transformação da consciência, esteve presente, como em nenhuma outra COP. Dubai, por exemplo, usou a Cultura como forma de entretenimento e distração.

Foi uma COP com a energia dos Encantados da floresta. O Curupira como símbolo, não podia ter sido melhor. As magias foram acontecendo desde o início. Um mês antes do início da COP não havia os 132 países (2/3) necessários para ela existir. Isso nunca tinha acontecido. Conseguiram mais adesões e no final tínhamos 195 países participando. A questão da aprovação da agenda no primeiro dia, sem qualquer manifestação foi também obra dos Encantados. O espirito de solidariedade de quase todos os países do mundo desfilando pelos corredores dos 160.000 m2 é algo inesquecível para nossas mentes, corações e espíritos. Inesquecível!

Parabéns a todos que trabalharam para a realização do que será, sem dúvida, um orgulho permanente para todos nós. Aplaudo efusivamente todos vocês e principalmente MARINA SILVA, ANDRÉ CORRÊA do LAGO e ANA TONI.

Encontrei muitos amigos queridos e estivemos juntos em momentos importantes da COP30. E com o querido Antonio Nobre, cientista que desvenda poeticamente o elefante na sala da COP30 e a Sister Jayanti, líder mundial da Brahma Kumaris fizemos um evento na semana seguinte em São Paulo: “Pós COP30… e agora?” Foi muito bom e em breve teremos uma edição do vídeo no cop30brasil.com

Antes de detalhar a justificativa do título, anuncio que vou publicar a colheita que fiz no cop30.com.br

Por que FOI um sucesso?

- Popularizou o debate sobre a Emergência Climática pelo Brasil todo. Conversas nas escolas, entre amigos, no sofá da sala da família, nas igrejas, nas mídias sociais, nos jornais, no futebol, nas festas e até nas músicas. Alguma vez isso aconteceu no país? Nem na pandemia, nem nas enchentes do Rio Grande do Sul, das queimadas generalizadas, da falta de água em São Paulo ou da seca na Amazonia.

- O tema dos Combustíveis Fósseis que nunca é discutido nas COPs, foi amplamente debatido e se criou o Mapa do Caminho da transição energética. Na primeira semana tinha apenas 10 países trabalhando nisso e na segunda já eram 82. Um feito extraordinário! Claro que não tinha como entrar nos documentos finais. Quem se queixou disso o fez, por ignorância ou por má-fé. Os textos nas COPs só são aprovados por consenso, ou seja, os 195 países em Belém, teriam que ter aprovado para o documento fazer parte do resultado. Obviamente não havia qualquer chance de isso acontecer. Apesar disso, a presidência brasileira da COP30 anunciou, por iniciativa própria, processos para elaboração de duas iniciativas: 1- Mapa do Caminho para a Transição dos Combustíveis Fósseis de maneira justa, ordenada e equitativa; 2- Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento. Aplaudo de pé essa conquista e me entristeço com aqueles que levaram o publico a acreditar que foi um fracasso.

- O Balanço Ético Global é um instrumento maravilhoso que está espalhando sementes pelos continentes e será um guia pratico de ações na direção da sociedade civil liderar as iniciativas contra a emergência climática. Ele propõe uma escuta ética e planetária sobre a crise climática, reunindo lideranças sociais, culturais, espirituais, empresariais, científicas e políticas em seis diálogos intercontinentais e em eventos autogestionados.

- O Mutirão Global foi uma ótima ideia com vários temas muito relevantes, engajaram os países num formato brasileiro, de origem indígena, que continuarão a ser implementados durante nossa presidência. Mutirão é um palavra de origem indígena. Vem do termo tupi-guarani “motirõ” ou “mutyrõ” e significa “trabalho em comum, reunião para a colheita ou trabalho coletivo”. O governo brasileiro adotou a expressão Mutirão Global pelo Clima para definir a primeira conferência sobre as mudanças climáticas na Amazônia.

- A COP30 acolheu temas que não estavam presentes nas COPs anteriores e nessa tiveram um forte protagonismo: Saúde, Crianças, Ciência entre muitos outros que inauguraram sua participação oficial na Blue Zone da ONU.

- Participação importante dos guardiões das florestas. Povos originários, centenas de etnias indígenas, quilombolas, ribeirinhos. Mesmo sabendo que poderiam ser mais, o credenciamento na Blue Zone foi recorde o que iluminou a participação recorde nas mesas de negociações e decisões.

- Fundo Tropical Florestas para Sempre (TFFF)

- Recorde absoluto da participação da Sociedade Civil. Os espaços mais gerativos da COP30 estavam espalhados por toda Belém. Foram milhares, de eventos, rodas de conversas, oficinas, exposições, documentários, palestras, shows e muita Cultura. Só para citar alguns poucos:

Aldeia COP
Amazon Climate HUB — Arayara
Barco Cultural Banzeiro da Esperança — Virada Sustentável e FAS
Barqueta dos Povos
Bienal Indígena — Escola da Cidade
Casa Combio
Casa Cubo
Casa das ONGs — Abong
Casa das Soluções
Casa do Jornalismo Socioambiental
Casa do Sul Global
Casa Escolhas — Instituto Escolhas
Casa FGV
Casa Iacitatá
Casa IDS
Casa Ipê
Casa Maraká
Casa Mata Atlântica
Casa Museu Emílio Goeldi
Casa Niaré
Casa Ninja
Casa Ninja Amazônia
Casa ONU
Casa Vozes do Oceano
Central da COP — Observatório do Clima
Cidade das Juventudes
Climate Action House
Cúpula dos Povos
Embaixada dos Povos
Espaço Chico Mendes
EY House
FreeZone Cultural
ImpactHub Belém
LAClima
Social Innovation House
Sumaúma
Vozes do Planeta
WCF — Casa COP | Casa Dourada
WWF House

O que NÃO foi um sucesso!

- A primeira questão negativa se refere a todas as COPs. Elas dão a sensação de que o mundo está discutindo e resolvendo essas questões tão importantes para a continuidade da nossa existência. Existe uma ilusão de que a emergência climática está sendo tratada. Que está se fazendo alguma coisa. Isso retarda a ação da sociedade civil em assumir a liderança desse movimento. Na COP30 apesar da gigantesca participação da sociedade civil ainda temos esse efeito ilusório.

- Foco de muitas mídias no incidente do incêndio, preços da hospedagem, preço da coxinha, invasão da Blue Zone por algumas dezenas de pessoas, depoimento do premier alemão, entre outras coisas. Para os leitores que não estava vivendo a COP30, aquilo pareceu relevante… NÃO ERA! Seria o mesmo que numa final de Copa do Mundo, a mídia se focasse no cachorro que acidentalmente entrou em campo, no preço das bandeiras vendidas para os torcedores, no aniversário da mãe de um jogador que está no banco de reservas, no rojão que estourou no campo, na invasão que alguns torcedores fizeram nas cadeiras cativas. Quem está acostumado com os jogos de futebol, ficaria chocado com esse tipo de cobertura da mídia. Muitos, como eu que conhecem as Conferencias do Clima, não entende o que leva jornalistas a deixar de lado a essência do que está acontecendo por toda a Belém para divulgar essas intercorrências menores. Cada uma delas afetou negativamente a COP30, mas eram tão pequenas diante do todo que se tornavam irrelevantes. Como no exemplo da final da Copa do Mundo, imaginem deixar de reportar os melhores momentos, o resultado do jogo, quem marcou os gols, público no estádio, depoimento de jogadores e dos técnicos…

- Os 1.600 lobistas (identificados) da indústria do petróleo que se infiltraram para promover a discórdia e garantir que não se aborde qualquer tentativa de deixarmos de ser reféns. Acredita-se que são bem mais. Sem falar dos que são da indústria química, proteína animal, ogronegócio, moda e outras entidades que se valem da indústria da ignorância (agnotologia) para desviar a atenção.

- Participação e expressão de alguns cientistas no Pavilhão da Ciência. São cientistas consagrados que poderiam estar no mutirão global e não no megafone de que está tudo errado e estão traindo a ciência. Ciência é por definição um conhecimento em movimento. Não existe uma verdade intocável na ciência. Ficar abrigado pelo escudo da ciência para promover sua visão e a si mesmo, não faz, desses profissionais arautos da verdade. A cientista presidente do conselho cientifico da COP30, disse numa entrevista a Folha de São Paulo (24/10) que “A COP30 deveria reservar 90% das negociações à transição para longe dos combustíveis fósseis e apenas 10% às florestas” Oi??? Que ciência é essa? Essa afirmação é tão absurda que nem vou comentá-la. Na verdade, esses mesmos cientistas, já tiveram seus pontos cegos questionados e revisados. Como a questão da savanização da floresta Amazônica, que hoje se sabe (cientificamente) que será a desertificação (e não a savanização) da floresta Amazônica. A mesma coisa para os rios voadores que hoje são amplamente aceitos e apenas recentemente, aceitos por esses cientistas. Agora temos a questão do ciclo hidrológico (bomba biótica), que não tem sido levado em conta nos cálculos da regeneração floresta. Ou seja, são gente como a gente e poderiam agir colaborativamente e não ficarem apenas esperando resultados diferentes de um mesmo formato que existe há 31 anos. Einstein tinha uma frase sobre isso: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”

Abaixo a resposta que divulgaram ao draft do texto do penúltimo dia:

Resposta dos cientistas ao texto de Mutirão da Sexta-Feira, 21 de Novembro.

“Apesar de um grande número de países se unirem em torno de roteiros para acabar com a dependência de combustíveis fósseis e com o desmatamento — e do impulso dado pelo presidente do Brasil — as palavras ‘combustíveis fósseis’ estão completamente ausentes do texto mais recente. Isso é uma traição à ciência e às pessoas, especialmente os mais vulneráveis, além de totalmente incoerente com os objetivos reafirmados de limitar o aquecimento a 1,5°C e com o quase esgotamento do orçamento de carbono. É impossível limitar o aquecimento a níveis que protejam as pessoas e a vida sem eliminar gradualmente os combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento. Nessas últimas horas, os negociadores devem trabalhar juntos para recolocar no texto os roteiros para um futuro mais seguro e próspero. A ciência está aqui para ajudar.”

Carlos Nobre — Science Panel of the Amazon; Fatima Denton — United Nations University; Johan Rockström — Potsdam Institute for Climate Impact Research; Marina Hirota — Instituto Serrapilheira; Paulo Artaxo — Universidade de São Paulo; Piers Forster — University of Leeds; Thelma Krug — Presidente do Conselho Cientifico da COP30

Texto, em desabafo, que escrevi no último dia da COP30:

“A COP30 conta com os Encantados apesar dos pesares. O copo está meio cheio, não acreditem nos pessimistas de plantão. Enquanto houver balanço para olhar os dois lados, ótimo! No momento em que se diz que o copo está vazio, seja usando o nome da ciência, religião, direitos humanos, direitos planetários, direito de réplica, tréplica ou qualquer outro subterfúgio enviesado… sinto vergonha alheia. Vamos reconhecer que o copo está meio cheio, pela primeira vez em 31 anos de COP. Parabéns aos que trabalharam para que essa COP seja, provavelmente, a melhor de todas. Não pela competição com as outras, mas pela recompensa do caminho trilhado!”

Fiona Harvey, escreveu no The Guardian, na última sexta-feira (28/11)

“Para além das manchetes negativas, algumas coisas realmente boas surgiram da COP30.”

TODO DIA 1

Esse é o meu 72º texto que escrevo em todo primeiro dia de cada mês. Começou em janeiro de 2020 e a partir de abril do mesmo ano comecei a publicar regularmente por aqui. A ideia original era ter um texto contextualizando o período em que eu estaria escrevendo um livro. A pandemia aconteceu e muitos outros contextos locais e mundiais foram se desdobrando. Hoje, seis anos depois, eu e o mundo somos outro. Eu me tornei avô, entendi que a transformação passa pelo caminho da luz e do amor. Reconheci que meu papel de atuação é muito mais internamente e no meu entorno do que no exterior. Sou um ser espiritual de amor e luz vivendo uma experiência humana.

O mundo, por sua vez, viveu experiências inéditas. O mundo parou! O que parecia ser uma obra de ficção científica aconteceu, a humanidade parou quase que totalmente. Esse fato poderia ter sido aquele alerta emergencial de saúde que nos leva a UTI com alto risco de morrer e, por milagre, sobrevivemos! Ao sairmos dessa situação o normal seria alterarmos completamente nosso estilo de vida para que nunca mais isso pudesse ocorrer. Só que não! A humanidade retornou ao “modus operandi” dos maus hábitos rumo ao colapso. O mundo anda muito mal frequentado. O ano de 2024 conseguiu ultrapassar a marca de 1,5 graus Celsius considerada limite para o aumento dos desastres ambientais. Foi o que assistimos, principalmente, nesses últimos anos. Inundações, queimadas e secas como nunca vimos antes.

E as guerras? Isso tudo não é um novo normal, trata-se da pior doença da nossa civilização: a Normose!

Me deixa triste ver pessoas escolhendo uma guerra, para chamar de sua, dentre as tantas que estão ocorrendo e agir como um torcedor polarizado sem ter a menor noção do que realmente está acontecendo. Qualquer guerra é sem noção!

Todas as guerras são inadmissíveis num mundo que se diz civilizado. Quando isso é “normalizado” é o começo do fim dessa civilização. A crise civilizatória em que estamos vivendo optou por não cessar as ações que nos levará a encerrar, muito mais cedo, mais uma civilização que habitou esse planeta. A dúvida repousa em como será a próxima civilização, se é que haverá a possibilidade de existência para a nossa humanidade. Por que escolhemos isso?

Quanto a política… o que dizer?

Ao mesmo tempo, na humanidade, existe uma grande onda da sociedade civil que está produzindo milhões de iniciativas e ações maravilhosas de regeneração ao redor do mundo. Elas estão, pouco a pouco, emergindo em silêncio e ocupando os espaços degradados. Esperança do verbo esperançar!

Esses 72 textos, escritos todo dia 1 de cada mês, em seis anos, estão livres de IA. Com certeza, principalmente nos últimos anos, teriam dado uma lapidada que os deixariam muito melhores do que escrevi. A razão de não compartilhar a escrita, em coautoria, é por conta do meu exercício de conseguir ultrapassar os meus boicotes internos e os desafios que a concentração me exige. Fico feliz com o resultado e me sinto com mais musculatura para avançar.

E aproveito para me despedir dessa experiência incrível, que me trouxe até aqui. Foi um grande desafio pausar todo dia 1, para me conectar com os ventos da emoção e da inspiração. Que continuem soprando e me levem a novas direções.

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Alan Dubner
Alan Dubner

Written by Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade