Primeiro de Maio 2024

Alan Dubner
14 min readMay 2, 2024

Amor Radical

Se é para radicalizar, vamos radicalizar no Amor.

O lançamento do livro “Amor Radical”, de Satish Kumar no SESC 14 Bis, no dia 16 de abril foi um momento de rara beleza. Indescritível! Vou me aventurar a compartilhar alguns momentos. Logo ao chegar no SESC, percebia-se uma confraternização de uma comunidade que se conhecia direta ou indiretamente. Encontrei em torno de umas 30 pessoas queridas que não via há um bom tempo. As pessoas estavam em clima de festa num momento em que o ativismo socioambiental não está nesse clima. Quando o Satish entrou do alto de seus 87 anos descendo a escada do auditório e cumprimentando os que estavam em sua passagem, o auditório aplaudia efusivamente em pé aquele ser tão especial. Foi um daqueles longos e fortes aplausos que teimam em não parar. Emocionado com aquela calorosa recepção agradeceu com um gesto e assim que as pessoas foram se sentando para ouvir, ele disse em português: “Boa Noite!” trouxe mais aplausos da plateia. Mencionou, também em português, o nome do seu livro gerando risos. Satish pediu licença para realizar uma breve meditação para começar. O silêncio que parecia ser impossível de ser ouvido naquela noite com tanta gente lotando o auditório, se fez de imediato. Calmamente foi conduzindo uma meditação simples e linda. Pediu para colocarmos os dois pés no chão, trazermos a mão direita para a nossa frente e ver o mundo todo na palma da mão direita que representa o mundo. Trouxe a mão esquerda paralela à da direita e disse que ela representa o eu (self). Juntou as duas palmas em posição de oração e pediu para vermos o mundo e o eu unidos. Inspire… expire… sorria… relaxe… e desapegue. Sinta uma um profundo senso de gratidão… para a terra, ar fogo e água. Esses quatro elementos sustentam todas as vidas, sem descriminação, sem nenhuma expectativa, sem nenhum julgamento. Portanto agradeço à terra, ar, fogo e água com uma profunda gratidão. Inspire… expire… sorria… relaxe… e desapegue. Se desapegue de qualquer expectativa, de qualquer raiva, de qualquer medo. A meditação dura uns 4 minutos onde agradece com um profundo senso de gratidão aos ancestrais, ao próprio corpo, a nós mesmos e às futuras gerações que além de um profundo senso de gratidão, enviemos bons pensamentos e que possamos deixar bons presentes: um planeta Terra lindo, não contaminado, não poluído para que as futuras gerações possam celebrar a aproveitarem a vida assim como o fizemos. Com as futuras gerações em nossos corações e nossas consciências… inspire…. expire… sorria… relaxe… e desapegue. Agora sinta uma mente cósmica, uma mente magnânima, todo o Cosmos é o nosso país, todo o planeta Terra é a nossa casa, a Natureza é a nossa nacionalidade e o Amor é nossa religião. Com essa mente magnânima… inspire…. expire… sorria… relaxe… e desapegue. (Breath in… breath out… smile… relax… and let it go.)

Me alonguei no resumo dessa experiência da meditação inicial do Satish Kumar porque ela sintetiza tudo que veio depois. Foi como se ele nos fizesse incorporar o sentimento do Amor Radical antes mesmo de expressar o conceito.

Uma outra versão dessa meditação está na página 41 do livro Amor Radical. Para quem quiser já ler meditando antes de continuar esse texto, segue abaixo:

- MEDITANDO NA UNIDADE DA VIDA -

A palma esquerda representa o eu, a palma direita representa o mundo.

Eu junto minhas duas palmas e, fazendo assim, eu me uno ao mundo.

Eu reverencio a vida sagrada, a Terra sagrada, o universo sagrado e o

cosmos sagrado.

Eu reverencio o solo sagrado, o ar sagrado, o fogo sagrado, a água sagrada

e o espaço sagrado.

Eu vejo todos os seres em mim e a mim mesmo em todos os seres.

Eu vejo o universo inteiro em mim e a mim mesmo em todo o universo.

Eu sou um microcosmos do macrocosmo.

Eu sou feito de terra, ar, fogo e água.

O cosmos é o meu país, a Terra é a minha casa, a Natureza é minha

nacionalidade e o amor é minha religião.

Todos os seres vivos são sustentados pelo mesmo sopro de vida, fluxo de

água, calor do fogo e solidez do solo.

Assim, estamos todos conectados, todos relacionados, somos interseres.

Compartilhamos uma origem única.

Unidade e diversidade dançam juntas.

Toda nossa prosperidade é mútua.

Eu celebro a mutualidade, a reciprocidade e as relações.

Quando a separação e a divisão acabam, também cessa o sofrimento.

Vou além do certo e errado, além do bem e do mal.

Eu reverencio a unidade da vida. Eu reverencio a diversidade de formas.

Eu inspiro e expiro.

Eu sorrio, relaxo e entrego.

Abro mão de toda expectativa, apego e ansiedade.

Abro mão de toda preocupação, medo e raiva.

Abro mão do ego.

Eu inspiro e expiro.

Eu sorrio, relaxo e entrego.

Estou em casa. Estou em casa. Estamos em casa.

Já vi e ouvi o Satish, muitas vezes desde 2015 na Schumacher College e acredito que essa foi uma das mais emocionantes e profundas de todas. Ninguém saiu de lá o mesmo que entrou.

Entre as tantas sabedorias que compartilhou naquela noite, uma das que mais gostei foi a comparação do Amor Radical com a Água de serem iguais (the same). O amor é a água para o coração, o amor é a água para a alma. A água não descrimina a quem ela vai servir, não existe aqueles que a merecem e os que não a merecem. Todo ser vivo pode ser sustentado, alimentado e mantido pela água. O amor é como água, nunca envelhece. O amor é como a água nunca deixam de ser necessárias, você precisa diariamente dela. A cada hora você pode tomar água, ela faz bem.

Amor Radical está em todos os níveis. Primeiro começa com você mesmo, você é o mundo, você é o microcosmo do macrocosmo. Cada um é único. O potencial do ser humano é inimaginável. Ser feliz com quem você é, é amar a si mesmo. Você não tem como amar o mundo sem amar a si mesmo. O primeiro passo é começar com você mesmo. Seja a mudança que você quer ver no mundo, seja o amante de você mesmo. Aprecie quem você é. Amar a si mesmo não é ego, e sim aceitar quem você é e cultivar sua essência. Seja quem você pode realmente ser. Não precisamos copiar ninguém, o universo, a evolução, a natureza fez cada um de nós único. Por que copiar alguém?

A partir daí você ama o mundo sem qualquer exceção, sem descriminação. Como a água que não descrimina quem a toma. O ódio pode matar, ódio não pode transformar, ódio não pode deixar você feliz. Amar qualquer um é o segundo passo.

Depois disso amar a Natureza. Pensamos que a Natureza é separada de nós. Pensamos que a Natureza e os seres humanos são separados. Por isso não amamos a Natureza. Ela não é um ser inanimado, ela é um organismo vivo. Somos todos Natureza. Somos todos feitos de terra, ar, fogo, água e consciência. Somos todos feitos dos mesmos elementos.

Existem dois tipos de amor: o modesto e o radical. O modesto é aquele que você ama quem você gosta e espera que o ame de volta. O radical é amar mesmo aqueles que você não concorda, mesmo aqueles que você não gosta. Somos todos relacionados, todos conectados, todos interseres (interbeings). Assim que você perceber essa verdade fundamental , você poderá amar a todos. Só através do amor você pode transformar, ódio pode matar. O ódio fere, o amor cura! Cura as feridas do seu coração.

Um bom exercício é dizer todo dia: “O amor não é só uma ideia, não é só uma filosofia, é uma prática diária. Toda palavra que digo vem do amor, cada pensamento que tenho vem do amor. Hoje é o dia do amor, amanhã é o dia do amor.”

Outro momento especial foi a noção de colocar o amor na frente da democracia, da verdade, da ciência, da economia. Quando colocamos o amor em primeiro lugar facilitamos o viver em todas as áreas da vida.

Outra questão importante que sempre fica nas críticas quando o amor entra em temas como economia, política, ciência e tantos outras áreas “sérias”, é que se trata de uma atitude idealista, sonhadora. Satish pergunta se o que chamam de realistas funcionou até agora. Se o mundo está funcionando bem sem amor para “atrapalhar” os realistas. Claro que não! Portanto chegou a hora de um ativismo idealista de Amor Radical.

Além da noite do lançamento do livro, Satish Kumar peregrinou pelos mais diversos espaços no Brasil organizado pela Escola Schumacher do Brasil que vem fazendo um trabalho maravilhoso nesses últimos 10 anos. Apoiar a Escola Schumacher Brasil é um dos mais importantes resultados de quem foi polinizado pelo querido Satish Kumar. Um ato de amor, de Amor Radical! Faça algo hoje! Aqui e Agora!

https://escolaschumacherbrasil.com.br/

Não vamos radicalizar…

Não vamos radicalizar na Guerra, hoje 1º de Maio de 2024, existem 32 guerras em andamento. A pior delas é a da invasão Russa na Ucrânia, que surpreendente não vem comovendo o mundo há mais de dois anos. A mais traumática e polarizada é a da Faixa de Gaza, que vem espalhando ódio indiscriminadamente. As outras 30 nem são levadas em conta fora de seus territórios afetados. Tudo que precisamos é de amor, Amor Radical!

Não vamos radicalizar na Linguagem, hoje existem dezenas de palavras canceladas e o uso de novas palavras altamente recomendadas (as vezes impostas). Todas as linguagens sofrem variações e renovações ao longo tempo. A Linguagem se adapta, espontaneamente, aos novos tempos refletindo a cultura, os valores, a identidade e a história de um povo. Atualmente existe um movimento, de mudança, alimentado pelo ódio. O foco deixa de ser o conteúdo do diálogo e passa ser um patrulhamento onde o interlocutor é imediatamente rotulado pelo “deslize” que cometeu. Os grupos sociais, dentro de uma língua, sempre criaram uma linguagem específica ao seu meio. As vezes as palavras migram para língua, o que é saudável. Impor a linguagem de um “grupo” para a língua, não faz sentido. Propor sim, impor não! O Amor Radical precisa se fazer presente aqui!

“A falta de amor leva à guerra, conflito, competição, exploração, dominação, e subjugação de povos e da Natureza. O militarismo, a corrida armamentista, a insegurança, e a rivalidade em todos os sentidos nasce de onde não existe amor.” Satish Kumar

Não vamos radicalizar na Tecnologia, hoje existe uma enorme pressão para acreditarmos que existe inteligência natural na inteligência artificial generativa. O surpreendente contato com os “modelos gigantescos de linguagem” (LLM — Large Language Model), ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google), Claude (Anthropic), Grok (xAI), Llama (Meta), Olympus (Amazon) e seus derivados (vídeos, fotos, imagens, vozes, músicas, programação) nos causam a ilusão de que são mais inteligentes do que nós, portanto vão nos substituir! Alguns dos pais dessa revolução das linguagens de máquina como Isaac Asimov com suas mais de 500 publicações, Alan Turing criador da computação, Jacob Levy Moreno que desenvolveu os princípios das redes sociais e o John McCarthy que cunhou o termo “inteligência artificial” ficariam felizes de ver o quanto contribuíram para o futuro que visionaram da expansão da linguagem de máquina. Lembrando que tudo, absolutamente tudo que a computação da inteligência artificial entende são só duas coisas: ligado e desligado. Passando energia ou não passando. São as extraordinárias combinações entre apenas 0 e 1 que geram tudo aquilo que diariamente nos relacionamos e nem ficamos mais perplexos com isso. A IA é apenas a ampliação quântica de tudo isso desde os anos 30 com protagonistas como os que mencionei acima. A falta de atenção e amor nos relacionamentos humanos estão fazendo as pessoas conversarem com os chatbots como se fossem… sei lá o que! O filme “Ela” de 2013 retrata muito bem essa anomalia, cada vez mais “normal”. E o episódio “Joan is Awful” (2023) da 6ª temporada de Black Mirror, conforme já mencionei aqui algumas vezes, é exemplar e vale aa pena assistir várias vezes para não esquecer de lembrar. All we need is Radical Love!

Não vamos radicalizar nas Fake News, existem hoje centenas, talvez milhares de sistemas de desinformação criados e mantidos com o único objetivo de manipular a opinião pública e gerar polarizações. Essas fábricas com sofisticadas máquinas de gerar falsas verdades foram inicialmente criadas a partir das eleições de 2014, no Brasil. Depois se alastraram para o Brexit no Reino Unido e conseguiram eleger o mais improvável candidato a presidente dos EUA, Donald Trump em 2016. A empresa Cambridge Analytica com a cumplicidade do Facebook foram os principais contribuintes as para essas ações criminosas que, hoje, são um negócio bilionário ainda em expansão para muitos que acreditam que seja tudo bem explorar o ódio e a polarização para tirar benefícios pessoais. Quase inacreditável pensar que existam pessoas dispostas a lucrar em detrimento do bem-estar social. Onde há Amor Radical não há lugar para, intencionalmente, fazer mal ao outro.

Não vamos radicalizar na Política, existem hoje dezenas de políticos liderando países onde o meio de fazê-lo é através do medo, da intolerância, do ódio, da violência e principalmente da polarização. Geram uma espécie de seita onde você interage como um torcedor fanático em que os fatos são maquiados para gerar uma justificativa que validem sua crença no inacreditável. A dissonância cognitiva grita e mesmo assim a pessoa não ouve ou não quer ouvir. Como é possível um número gigantesco, de mulheres votarem num candidato evidentemente misógino? Que maquiagem é preciso para uma comunidade negra votar num candidato racista? E o que dizer de milhares da comunidade LGBTQIAPN+ votarem num candidato com preconceito contra diversidade sexual e de gênero? Medo, intolerância, ódio, violência e polarização são assinaturas de Vladimir Putin, Donald Trump, Benjamin Netanyahu, Kim Jong-un, Xi Jinping, Ayatollah Khamenei, Tayyip Erdogan, Bashar al-Assad, Viktor Orban, Nicolas Maduro, Narendra Modi, Ali Abdallah Salih, Abdel Fattah al-Sisi, Giorgia Meloni, Barham Salih, Ilham Aliyev, entre muitos e muitos outros. Já pensou se eles se rendessem ao amor? Parece piegas, mas o conceito de pieguice foi criado pelos políticos que não encontram um lugar interno para o amor. Eles precisam esconder suas inseguranças, seus medos e acreditam que seu poder vem de iludir o outro a acreditar que o personagem criado realmente existe. Eles não existiriam se não fosse o valor atribuído a eles. Quem pratica bullying só o consegue com a anuência de uma plateia, de uma claque, de um grupo de idiotas que fingem fazer parte dos fodões (badass). Triste realidade que gera um bando de apoiadores que acredita que o político o representa, mesmo que vá contra seus próprios princípios e valores. Esse rebanho prefere se sentir “pertencendo” aos fanáticos ao invés de se posicionarem e serem excluídos. Apesar das dissonâncias cognitivas os chamarem para suas essências, preferem fingir que são apenas ovelhas obedientes.

Futuros Regenerativos

Futuros Regenerativos vão além da visão tradicional de sustentabilidade. Já passamos do ponto de conservar, preservar, conscientizar, desenvolver, mitigar, restaurar e até mesmo de adaptar. Regenerar é a principal solução para as questões de insustentabilidade. Só é possível tratar das verdades inconvenientes com uma visão sistêmica e um entendimento de nossa interdependência. Precisamos abandonar as crenças na supremacia humana e, acreditar (no óbvio) que somos Natureza. Futuros regenerativos convidam para uma mudança de paradigma onde sustentabilidade é a sobrevivência dos sistemas naturais e humanos integrados. Por exemplo, deixamos de pensar em floresta em pé para pensar em floresta viva. Não são as arvores em pé numa floresta que vão garantir sua sobrevivência e sim toda biodiversidade contida nela. Dos guardiões da floresta ao mais simples dos fungos. Interdependência!

Efemérides

1º de maio 2023

https://medium.com/@alandubner/primeiro-de-maio-de-2023-3af4a659abe7

Em tempo, fiz as duas perguntas acima para o GPT-4. Seguem as respostas:

O que é inteligência?
Inteligência é uma capacidade cognitiva que envolve a habilidade de aprender, compreender, raciocinar, resolver problemas, adaptar-se a novas situações e utilizar o conhecimento adquirido de forma eficaz.

Um computador tem inteligência?

Os computadores são capazes de realizar tarefas complexas de processamento de informações em velocidades muito superiores às dos seres humanos. No entanto, a inteligência dos computadores é diferente da inteligência humana, pois os computadores operam com base em instruções e algoritmos predefinidos que foram programados por seres humanos.

1º de maio 2022

https://medium.com/@alandubner/primeiro-de-maio-11b357abff16

Vaca não dá Leite

A história que se conta é que quando os filhos fizessem 12 anos o pai, contaria o Segredo da Vida. Esse segredo é que vaca não dá leite… você tem que tirar o leite da vaca e passar por todos os dissabores que essa operação exige. Apesar de ser uma boa analogia de que as “coisas” não caem do céu e de que é preciso trabalhar arduamente para consegui-las, ela também esconde um segredo maior ainda que, involuntariamente, acaba formando as crianças para um sistema que está ficando obsoleto (neoliberalismo). O segredo maior ainda é de que a vaca dá leite para o seu bezerro e não para nós, por isso, é necessário TIRAR o leite da vaca. A mesma analogia não funcionária tão bem, para as crianças, se o Segredo da Vida fosse que o boi não dá carne… é preciso tirar a carne do boi e passar pelos dissabores que essa operação exige. Uma parte significativa das novas gerações estão procurando ensinar o básico para os pais, professores, políticos e adultos em geral de que os animais dão leite para suas crias e não dão carne para nós. Apesar de todo blá blá blá dos que deveriam estar agindo como adultos, os jovens e as crianças não aceitam mais ouvir lições dos que continuam impunemente a TIRAR do seu futuro.

1º de maio 2021

https://medium.com/@alandubner/primeiro-de-maio-f868e7a6e150

As incertezas são tantas que seria mais prático a gente se render (com bandeirinha branca e tudo) e ficar confortavelmente sabendo que não sabemos nada. O que muda? Qual seria o problema? Estaríamos mais perto ou mais distantes da nossa verdade? Estamos assistindo a um desfile de certezas incertas. Quando alguém diz que está seguindo a ciência, o que isso quer dizer? Os cientistas pesquisam e chegam a conclusões diferentes, muitas vezes opostas. Então qual ciência seguir? São tantas! Quando alguém diz que está sendo guiado pela religião, o que isso quer dizer? São tantas as incertezas entre cientistas, médicos, religiosos, economistas, biólogos, ambientalistas, agricultores, jornalistas, professores, políticos, terapeutas… a lista não termina. Por que então, acreditamos que há alguma certeza, além de vamos morrer? O meu bom dia para as incertezas de hoje foi inspirado num texto que o Edgar Morin, publicou (Gallimard) há um ano em 21 de abril de 2020. Sim esse Edgar Morin que vai fazer 100 anos daqui dois meses. Cada parágrafo do seu texto merece uma parada para reflexão. O texto se chama — Um Festival de Incerteza — e começa assim:

“Todas as futurologias do século XX que previam o futuro com base nas correntes que atravessavam o presente fracassaram. Contudo, continuamos a prever 2025 e 2050 mesmo que sejamos incapazes de compreender 2020. A experiência das irrupções do inesperado na história não penetrou nas consciências. A chegada do imprevisível era previsível, mas não sua natureza. Daí minha máxima permanente: “espere pelo inesperado”.

1º de maio 2020

https://medium.com/@alandubner/primeiro-de-maio-6d6e50a04df7

Terapias — Seria engraçado se não fosse trágico o que estamos vivenciando nesses dois meses de isolamento social. A GRANDE maioria dos terapeutas vem, nesses últimos anos, negando o campo terapêutico virtual. Isso para não ter que dizer que simplesmente ridicularizavam o espaço virtual de terapia. Do dia para noite é tudo bem… funciona… é necessário e principalmente assumem uma certa familiaridade com o que não possuem a menor a ideia de como funciona e o por quê desse espaço. O que provavelmente vai acontecer é que os pacientes vão perder a paciência e migrar para obter resultados mais eficazes com quem levou anos estudando e aprendendo sobre o campo de terapia virtual. Isso vai acontecer naturalmente com o compartilhamento (virtual) de suas experiências e a demanda será muito maior do que a oferta por um bom tempo. Minha sugestão aos terapeutas virtuais iniciantes é que reflitam sobre como estão se sentindo com esse novo formato. Se acham que estão atrapalhados, não estão conseguindo dar o seu melhor, sentem-se inseguros desde lidar com as ferramentas até entender a amplitude dessa nova linguagem e suas possibilidades… fiquem tranquilos, vocês estão numa ótima posição para aprender e apreender nesse novo e maravilhoso mundo virtual. Sejam honestos com seus pacientes e provavelmente lhes ajudarão com lovebacks a caminhar nessa direção. Agora se você acredita que está bem e basicamente domina a técnica e a tecnologia. Tem familiaridade com Facebook, Instagram, Zoom, Doxy, Facetime, Google Meetings, Hangout e sua maestria como terapeuta compensa esse momento temporário… vocês estão com sérios problemas existências. Seus pacientes também! Sugiro que procurem um bom terapeuta urgente! Terapeutas, não estamos numa situação passageira onde tudo voltará ao normal em breve! O novo normal ainda é desconhecido e está sendo construído conforme o caminho vai sendo construído. “Caminhante não há caminho, o caminho se faz ao caminhar.”

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Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade