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Primeiro de Outubro 2025

5 min readOct 2, 2025

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A Insustentável Insustentabilidade!

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A Insustentável Insustentabilidade

No mês de setembro tivemos altos e baixos, vitórias e derrotas, ganhos e perdas… mas, não é todo mês assim? Até mesmo, todo dia assim? Pode até ser, mas a escalada dos absurdos contra o Brasil cometidas pelo Congresso alcançou um patamar nunca visto antes! Eles agem como se não houvesse amanhã, porque se a gente parar pra pensar, desse jeito não haverá mesmo. Será necessária uma legião urbana, rural e florestal para mostrar o caminho da democracia e de colocar a vida no centro de suas decisões. Vergonha alheia! Para não voltar muito atrás vale lembrar que 54 senadores meliantes (que não tem vergonha) aprovaram a PL da Devastação em maio e na semana seguinte, covardemente, atacaram a ministra Marina Silva em episódio que explicitou a falta de caráter e de integridade de alguns dos senadores eleitos… por nós! Em julho outras demonstrações de estupidez aguda em ataques contra a Marina, dessa vez na Câmara dos Deputados, provocaram mais vergonha aos que deveriam estar representando os cidadãos do país. Em agosto, como se fosse possível ficar pior, senadores e deputados meliantes (que perderam ou não tem vergonha), executaram um motim ocupando as mesas diretoras dos plenários do Senado e da Câmara dos Deputados em protesto a prisão domiciliar do ex-presidente e em apoio às sanções contra o Brasil pelo presidente dos Estados Unidos. Esse show de horror, lembra o filme, Bye Bye Brasil de Carlos Diegues. Esses mesmos protestos levaram muitos indivíduos a Av. Paulista, desfilarem com uma gigantesca bandeira dos Estados Unidos. Como teria dito Tom Jobim, o Brasil não é para principiantes. Ainda em setembro foi aprovada, pela Câmara dos Deputados a urgência para um projeto de anistia a condenados por atos golpistas… a PL da Anistia. O mais irônico é que visavam a anistia até para os que ainda não estavam condenados. Como se não bastassem essas insanidades todas, veio a PEC da Blindagem (também chamada de PEC da Bandidagem) que foi amplamente aprovada por 344 deputados meliantes (sem vergonha) com apenas 133 contrários. Por último só quero acrescentar que quando vejo os 5 deputados federais mais votados (ampla maioria) em São Paulo, tenho a certeza de que o sistema eleitoral funciona contra a democracia. Como já mencionei muitas vezes nesses textos, concordo com o filósofo grego Sócrates de que o sistema de votação não funciona para eleger o mais qualificado para a função e sim o mais “fanfarão” que conseguia iludir o eleitor. Ele usava a figura de um navio onde os votos elegiam, não o mais apto a conduzir a embarcação e sim o mais popular e convincente manipulador que fingia ser o mais preparado. Acredito que isso não mudou nos últimos 2.500 anos. A pergunta que fica é porque as pessoas ainda acreditam que o voto é um símbolo máximo da democracia. Acredito que seja o símbolo da nossa ignorância em ação. A saída fácil (e estúpida) é responder de que não há alternativa melhor e que o caminho é conscientizar o eleitor. Será? Não sei responder, mas o mundo tem demonstrado que o atual sistema eleitoral simplesmente não funciona. Vide os resultados de outros países e os BREXITS da vida. Até hoje, com raras exceções (Václav Havel), não escolheu os mais aptos a governar!

“É PRECISO AMAR AS PESSOAS COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ, PORQUE SE VOCÊ PARAR PRA PENSAR NA VERDADE NÃO HÁ…” Legião Urbana

Saindo da Insustentabilidade para a Sustentabilidade vou falar da Virada Sustentável que em sua 15ª versão foi absolutamente maravilhosa. Tive o privilégio de fazer a curadoria na Casa das Rosas em que pudemos vivenciar os aromas, cores e sabores da sustentabilidade. No ano da França no Brasil o Instituto Poiesis apresentou as Consultas Poéticas (consultaspoeticas.com.br) do Theatre de la Ville (Paris) Tivemos três dias de atividades maravilhosas, entre elas, nomes como a ativista indígena Txai Suruí, a atriz Maria Paula, o cientista Paulo Nobre, a futurista Lala Deheinzelin, o professor José Carlos Perdigão, o ator Wellington Nogueira; os documentários de Mara Mourão, Caio Ferraz, Sylvio Rocha, Christina Carvalho Pinto, Fernanda Heinz Figueiredo, além da presença especial do Observatório do Clima (Central da COP), Schumacher Brasil, Teach The Future, Famílias pelo Clima (Fridays for Future), Instituto Cultural da Dinamarca e muito mais! Participei, junto o André Palhano e a Isabella Prata da Roda de Conversa com o cientista coordenador do INPE, Paulo Nobre. “A emergência climática é uma realidade que bate à porta de nós, quer seja através de notícias de desastres climáticos ocorrendo por todo o planeta, que seja através do experimentar direto com tais desastres. A maquete dinâmica da Água, do prof. Perdigão, foi uma das principais atrações! Quem ainda não a conhece… precisa conhecer!

Sobre os preparativos para COP30, os Povos Indígenas são aqueles que tem o maior conhecimento e sabedoria sobre os rumos de regenerar a Natureza que vem sendo sistematicamente devastada com as consequências que temos testemunhado nos últimos anos. Eles são, provavelmente, o que haverá de melhor nessa COP30. Além deles, teremos a presença, direta e indireta, de Embaixadores Mundiais do Clima: Marina Silva, Fritjof Capra, Satish Kumar, Vandana Shiva, Antonio Nobre, Al Gore, David Attenborough, Jane Goodall, Elizabeth Sathouris, Rajendra Singh, Txai Suruí, Carlos Nobre, Ailton Krenak, Hunter Lovins, Charles Eisenstein, Yann Arthus-Bertrand, Paul Hawken, Céline Cousteau, David Suzuki, Peter Senge, Edgar Morin, Johan Rockström, Margaret Wheatley, John Milton, Lynne Twist, Marcos Palmeira, Adriana Ramos, Maude Barlow, Mario Mantovani, Allan Kaplan, Greta Thunberg, Otto Sharmer, Yuval Harari, Tasso Azevedo, Leonardo DiCaprio, Davi Kopenawa, Severn Suzuki, Paul Watson, Gro Brundtland e outros que não lembrei agora.

A Sociedade Civil, vem sendo um impulsionador forte das COPs desde a da COP20 (Peru 2014) e consagrado na COP21 (Paris). Apesar das últimas três terem sido em países que proibiram a participação cidadã, retornaremos (espero) ao principal eixo de apresentações e negociações do Clima. Entre eles, o retorno da Cúpula dos Povos.

Ah, já estava quase esquecendo! Tem, também, a presença da ONU que deveria ser um ator significativo nesse momento crítico da humanidade e, novamente, não terá qualquer importância que valha a pena mencionar. Desde, pelo menos, a COP15 (Copenhague 2009) a ONU desempenha um vergonhoso papel de quase inutilidade nas conferências do clima.

Sobre a Biodiversidade percebida e depois diluída na linguagem escrevi um parágrafo!

“Do alto de completar um ano de vida, aquela criança se fascinava com as belas criaturas em pé… tão diferentes umas das outras. Incríveis esses seres imóveis e únicos. Contemplava cada um deles como, bem mais tarde saberia definir, como uma obra de arte… esculturas vivas! Como amava aqueles espécimes! Do baixo de completar dez anos de vida, aquela criança já havia reduzido as belas criaturas em pé a uma única palavra… árvore. A linguagem foi capaz de, cognitivamente, reduzir a percepção do mundo vivo em segmentos objetificados distantes da sua própria vida interdependente. As pedras deixaram de ser vivas e até mesmo (por mais absurdo que pareça) a água, também, deixou… passou a ser uma fórmula isolada (como se fosse possível) H2O.”

Que a Vida volte a pulsar porque somos Natureza… porque somos um!

Ou “porque metade de mim é amor… e a outra metade também!” Oswaldo Montenegro

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Alan Dubner
Alan Dubner

Written by Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade