Primeiro de Outubro de 2023

Alan Dubner
17 min readOct 1, 2023

Só sei que nada sei ou não sei que nada sei?

O mês de setembro, no Brasil, foi o setembro mais quente de que se tem notícia! Esses últimos meses foram os mais quentes do planeta desde 1880 quando se iniciou a medição. Imagino a vergonha que devem sentir os filhos e netos daqueles que ainda acreditam de que as mudanças climáticas não tem uma forte influência humana. Ridículo!

Rajendra Singh, o Homem Água da Índia, esteve no Brasil visitando alguns projetos de cuidadores da água e participou da Virada Sustentável num encontro histórico com a Marina Silva, Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Esteve acompanhando o Rajendra, Martin Winiecki da comunidade de Tamera em Portugal. Logo nos primeiros dias se reuniu com jovens ativistas de diversas comunidades no SENAC Jabaquara, que tem uma forte pegada na sustentabilidade. Esteve, no dia mundial da PAZ, no Centro de Experimentos Florestais da SOS Mata Atlântica onde conheceu um dos principais projetos de recuperação de água através da restauração dos ecossistemas da Mata Atlântica. Retorno de nascentes, florestas e o aumento de animais da região. Bem dentro do que Rajendra fez na Índia e está fazendo no mundo. Aprendeu, com a Malu Ribeiro e a equipe da SOS, os desafios vividos nos 14 anos de existência desse projeto. Entendeu que o bioma da Mata Atlântica, por ter conquistado uma lei própria tem mais recursos para sua preservação. Se surpreendeu que a Amazonia e os outros biomas do Brasil ainda não têm. Conheceu, também, o Rio Tietê em Itu e assistiu a uma coleta e medição da qualidade de suas águas. Ficou surpreso e feliz de saber que a deputada Marina Helou apresentou um projeto de lei para transformar o rio Tietê em um rio sujeito de direitos, para garantir a saúde e equilíbrio do seu ecossistema. Estávamos na semana do rio Tietê e a SOS Mata Atlântica realizou diversas importantes atividades, principalmente no SESC Pompéia. Foi lançado, nessa mesma semana, o relatório “Observando o Tietê 2023” é um documento precioso do monitoramento da SOS. Para finalizar a visita em Itu, no Dia Nacional da Árvore, Rajendra Singh conheceu um Jequitibá Rosa na belíssima Estrada Parque. De volta a São Paulo se encontrou com Edgard Gouveia Jr e conheceu suas peripécias pelo engajamento de comunidades no mundo todo e o lançamento de mais uma Jornada X. Conheceu o sucesso da Primavera X, a Gincana Nacional de Cuidado com as Águas! Ambos ficaram emocionados com o encontro. Para fechar com chave de ouro esse dia 21 de setembro, também Dia Mundial da Gratidão, recebemos a maravilhosa notícia de que o Marco Temporal foi considerado inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por 9 votos a 2. Muita alegria!

Relatório “Observando o Tietê 2023”

No dia seguinte de manhã, Rajendra gravou uma conversa, no Parque do Trianon em São Paulo, com o cineasta Caio Ferraz. Caio, um forte ativista na questão da água, estava “em casa” com o Homem Água da Índia. Deverá ser mais um desses filmes que muda a nossa perspectiva em relação a água como foi a websérie “Volume Vivo” ou o média-metragem “Entre Rios”.

Projeto Volume Vivo

À tarde, do dia 22 de setembro, foi um dos momentos mais emocionantes da sua viagem. No palco da Unibes Cultural durante a Virada Sustentável de São Paulo, Rajendra Singh e Marina Silva se encontraram diante de um auditório lotado. Os dois estão na lista das 50 Pessoas que podem Salvar o Planeta do “The Guardian”. Marina acabara de desembarcar de sua viagem à Nova York, onde ocorreu a Assembleia Geral da ONU e a Semana do Clima. Sua participação nos EUA foi muito importante e amplamente coberta pela mídia nacional e internacional. Na primeira meia hora Rajendra, subiu sozinho ao palco e contou sua saga de regeneração da água na Índia. Foram mais de 10.000 km2 de desertos e semidesertos que voltaram a ficar verdes e com água mesmo nos períodos de seca. O que parecia ser uma tarefa impossível, Rajendra através de uma gestão descentralizada e comunitária da água local, com conhecimentos e sabedorias indígenas, construiu em regime de mutirão, milhares de estruturas que recuperaram as nascentes, filtraram a água da chuva para os aquíferos que devolveram aos poços que estavam secos, a tão valiosa água. Riachos e rios voltaram a fluir novamente, a vegetação se recuperou e a vida voltou para cada uma dessas regiões. Rajendra encantou o público com a sua paixão pela água e sua otimista visão de futuro. Encerou dizendo “O amor e o respeito pela natureza estão realmente mostrando o caminho para os desafios do século 21. Se quisermos um bom futuro comum e melhor para todos, só podemos começar com amor. Amor pelas águas, amor pelo ar e amor pelo sol, que é a fonte da vida”.

Quando Rajendra desceu do palco, os aplausos que diminuíam voltaram a fazer barulho com Marina subindo ao palco. Ouviam-se gritos e assobios de alegria por ela estar lá… na Virada Sustentável, no Ministério, no Meio Ambiente, no Mundo e principalmente por ela ser quem ela é! Começou dizendo que “Diante de Rajendra, tão apaixonado pela água, eu, uma apaixonada pelas florestas, sinto que há uma forte conexão entre nós. Água e floresta são inseparáveis. Eu sinto aqui que a gente é uma comunidade de pensamento. E quanto mais a gente estiver conectado nessa frequência, mais estaremos fazendo o que o mundo precisa.”

Foi uma fala revigorante e de muita esperança, dava para sentir o público vibrar a cada frase. Disse que “Há esperança. Mas a esperança não pode ser uma esperança vã.

A gente tem que colocar em jogo agora nossa capacidade de acreditar. Mas não é uma crença ingênua. É a nossa capacidade de acreditar, criando, fazendo a nossa parte.”

Para última parte do encontro, Rajendra voltou ao palco com a Marussia Whately do IAS (Instituto Água e Saneamento) que mediou a conversa entre os dois. Rajendra disse: “Estou muito, muito feliz porque já ouvi na minha vida mais de 100 ministros do meio ambiente neste mundo, mas Marina Silva fala com a sabedoria e ciência.”

Apesar de ser a primeira vez que se encontram, Marina disse que pareciam se conhecer de longa data por terem ideias e propósitos de vida em comum. Marina e Rajendra falaram do estado atual das mudanças climáticas no mundo, do qual estão bem a par, e da esperança nas iniciativas da sociedade civil que farão a grande diferença para a construção do futuro.

Esse encontro entre Marina Silva e Rajendra Singh foi promovido pela Virada Sustentável e teve como anfitrião a Fundação Rede Brasil Sustentável. Veja um vídeo curto do encontro

Rajendra se encantou com a Virada Sustentável e sua imensa programação. Disse que é o maior “Sustainable Festival” de quem notícia! Pontos para o Brasil! O próximo será em novembro em Belém!

Virada Sustentável São Paulo

No sábado Rajendra Singh e Martin Winiecki foram convidados pelo IAS (Instituto Água e Saneamento) para acompanhá-los na Guarapiranga. Não participei.

No domingo foi um dia de passeio pelas atividades da av. Paulista fechada para o trânsito e aberta para a cultura. Visitamos o MASP e o Museu Moreira Sales onde almoçamos no restaurante de lá, o Balaio. Degustamos uma entrada de mandioca crocante e depois uma moqueca de caju e cogumelos com salsa de tucupi preto.

Na segunda, também não os acompanhei numa visita a um espaço do MTST.

Próximos passos:

O Martin Winiecki, que acompanha o Rajendra Singh há 11 anos e implementou sistemas de regeneração de água em Tamera (Portugal) vai nos orientar a criar esse hub no Brasil. Eu (Alan Dubner) e o Claudio Miranda (Instituto Favela da Paz) vamos incorporar as pessoas e instituições que já se interessaram e outras que ainda podem vir a se interessar em criar essa empreitada no Brasil. Rajendra Singh deve retornar ao Brasil no próximo ano!

Satish Kumar — hoje participei de um encontro virtual maravilhoso com o Satish Kumar sobre o livro “Radical Love” (Amor Radical). No final disse que recebemos tanta coisa boa da nossa ancestralidade e precisamos deixar boas coisas para as próximas gerações. Não adianta apenas concordar ou pensar no que deve ser feito. É preciso fazer! É preciso fazer ações! Não basta falar é preciso ser ativista, ativista que tenha Amor Radical. O movimento precisa vir da sociedade civil de baixo para cima, sem esperar que governos ou outras instituições compareçam. Ao responder uma pergunta relacionada às crianças mencionou uma poesia do Khalil Gibran

“Teus filhos não são teus filhos. São filhos e filhas da vida, anelando por si própria. Vem através de ti, mas não de ti. E embora estejam contigo, a ti não pertencem. Podes dar-lhes amor, mas não teus pensamentos, pois eles têm seus pensamentos próprios. Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar-se quer em sonhos. Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazei-los semelhante a ti, pois a vida não recua, não se retarda no ontem. Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados. Que a tua inclinação na mão do arqueiro seja para alegria.”

Está sendo produzido um documentário biográfico de Satish Kumar “Amor Radical” e programando sua vinda ao Brasil. Criaram um crowdfunding para ajudar nessa empreitada. Já colaborei no https://apoia.se/amorradical

585 dias da invasão Russa na Ucrânia — Será que ainda sentimos alguma coisa? Você se lembra do que sentiu em fevereiro de 2022? E um ano depois em fevereiro de 2023. E agora?

Energia Limpa ou Sustentável?

Acredito que o termo “energia limpa” não deveria mais ser usada porque leva a uma falsa percepção de que não há pegadas socioambientais. É preciso um olhar sistêmico para entender o que está em jogo na transição energética e porque estamos vivendo uma crise energética. Devemos dizer “energia sustentável”, o que também precisa ser visto caso a caso e evitar acreditar de que não há pegadas ecológicas. O que não podemos é cair nas armadilhas de manipulação da nossa percepção. Um exemplo grosseiro é o que, em agosto de 2021, o Ministério de Minas e Energia apresentou como “Programa para Uso Sustentável do Carvão Mineral Nacional”… carvão mineral sustentável???? Todas as pessoas envolvidas nesse absurdo deveriam ser presas ou internadas num manicômio. Para piorar, foi apresentado no mesmo dia que o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU, que mostrou os números alarmantes produzidos e certificados pelos principais cientistas do mundo. O mesmo está ocorrendo para os combustíveis fósseis, enquanto o mundo deveria caminhar aceleradamente para uma transição, tem gente no Brasil defendendo a exploração de Petróleo na foz do Amazonas. Isso não é uma polêmica, é um fato científico. Sei que ainda tem algumas pessoas que acreditam, apesar das evidências, que a Terra é plana ou que a mudança climática não tem interferência humana, mas o pior são aqueles que sabem da verdade e pregam propositadamente mentiras bem elaboradas a serviço de qualquer coisa menos o bem estar e sobrevivência da população. Um desses propagadores profissionais disse, no dia 4 de setembro na CPI das ONGs no senado, “… o pessoal do Sul, Rio Grande do Sul não vai ter o excesso de água que é a característica de El Niño”. Esse imbecil que declarou essa bobagem (tem gente que acredita nele) um dia antes de começar a maior enchente da história do Rio Grande do Sul. Tem outros como ele soltos por aí!

A International Energy Agency (Agência Internacional de Energia) atualizou seu relatório, agora em setembro, mostrando que os números de emissões de CO2 cresceram

Relatório da IEA 2023

Algumas menções desse relatório:

“O caminho para 1,5 °C estreitou-se, mas o crescimento da energia limpa o está mantendo aberto.”

“A defesa pela transformação do sistema energético global de acordo com o objetivo de 1,5 °C nunca foi tão forte. Agosto de 2023 foi, por uma larga margem, o mês mais quente até hoje, e o mês anterior mais quente desde sempre foi julho de 2023. Os impactos das alterações climáticas são cada vez mais frequentes e graves, e os alertas científicos sobre os perigos do caminho atual tornaram-se mais fortes do que nunca.”

“As emissões globais de dióxido de carbono (CO2) provenientes do setor energético atingiram um novo recorde de 37 mil milhões de toneladas (Gt) em 2022, 1% acima do seu nível pré-pandemia, mas deverão atingir o seu pico nesta década. A velocidade da implementação de tecnologias-chave de energia limpa significa que a IEA prevê agora que a procura de carvão, petróleo e gás natural atingirá o seu pico nesta década, mesmo sem quaisquer novas políticas climáticas. Isto é encorajador, mas não é suficiente para atingir a meta de 1,5 °C.”

‘Os desenvolvimentos positivos nos últimos dois anos incluem instalações solares fotovoltaicas e acompanhamento de vendas de carros elétricos, em sintonia com os marcos estabelecidos para eles no nosso relatório (2021) Net Zero até 2050. Em resposta à pandemia e à crise energética global desencadeada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, governos de todo o mundo anunciaram uma série de medidas destinadas a promover a adoção de uma série de tecnologias de energia limpa. A indústria está crescendo rapidamente para fornecer muitos deles. Se forem totalmente implementadas, as expansões da capacidade de produção atualmente anunciadas para energia solar fotovoltaica e baterias seriam suficientes para satisfazer a procura até 2030 nesta atualização do Cenário Net Zero (NZE Net Zero Emissions by 2050) .”

“Aumentar as energias renováveis, melhorar a eficiência energética, reduzir as emissões de metano e aumentar a eletrificação com as tecnologias disponíveis atualmente proporcionam mais de 80% das reduções de emissões necessárias até 2030. As principais ações necessárias para curvar acentuadamente a curva de emissões até 2030 são bem compreendidas, na maioria das vezes económicas e estão a ocorrer a um ritmo acelerado. A expansão da energia limpa é o principal fator subjacente a um declínio da procura de combustíveis fósseis superior a 25% nesta década no Cenário NZE. Mas políticas bem concebidas, como a reforma antecipada ou a reorientação de centrais eléctricas alimentadas a carvão, são fundamentais para facilitar a diminuição da procura de combustíveis fósseis e criar espaço adicional para a expansão da energia limpa. No Cenário NZE, o forte crescimento da energia limpa e outras medidas políticas, em conjunto, levam a que as emissões de CO2 do setor energético caiam 35% até 2030, em comparação com 2022.”

Essa semana me pediram para escrever sobre o Hidrogênio como fonte de Energia e percebi o quanto o público em geral conhece muito pouco sobre o assunto. Muito menos sobre as diversas formas de obter essa energia. Se estamos falando de um potencial substituto dos combustíveis fósseis, é muito importante conhecer para não cair nas desinformações tão comuns quando se trata de energia sustentável.

Nos últimos anos, tem havido um interesse renovado no hidrogênio, principalmente devido à necessidade urgente de descarbonizar setores como a indústria e o transporte. Países e empresas em todo o mundo estão investindo em pesquisa, desenvolvimento e implantação de tecnologias baseadas em hidrogênio para aproveitar seu potencial como vetor energético limpo.

O Hidrogênio como fonte de Energia é uma das possibilidades mais instigantes e misteriosas na história das energias da nossa humanidade. Do fogo à eletricidade, passando pela fissão nuclear, o Hidrogênio é o elemento mais abundante no universo e, quando usado como combustível, seu único subproduto é a água. É preciso conhecer esse admirável novo mundo do Hidrogênio e a necessária visão sistêmica para entender por que mais de 200 anos da descoberta dessa incrível fonte de energia ainda é vista como sendo do futuro.

O Hidrogênio como fonte de energia foi inicialmente descoberto no início do século XIX, durante o século XX houve um incremento nas pesquisas que resultaram em soluções práticas aplicáveis. Desde a década de 1960, a NASA tem usado células a combustível de hidrogênio em missões espaciais, onde o hidrogênio e o oxigênio líquidos reagem para fornecer eletricidade para os veículos espaciais, com a água como subproduto sendo usada pelos astronautas. Nos anos 70, especialmente após a crise do petróleo, houve um interesse renovado em fontes alternativas de energia, incluindo o hidrogênio. Investigações intensivas foram conduzidas em células a combustível, produção, armazenamento e distribuição de hidrogênio. A célula de hidrogênio, conhecida também como célula a combustível, é uma tecnologia que utiliza a combinação química dos gases hidrogênio e oxigênio para gerar energia elétrica e moléculas de água. A energia do hidrogênio deriva da reação química em que o hidrogênio é combinado com oxigênio para produzir água, liberando energia no processo.

Vantagens do hidrogênio como fonte de energia:

Emissão zero de carbono: Quando o hidrogênio é usado como combustível em uma célula a combustível, ele se combina com oxigênio para produzir eletricidade, emitindo apenas água como subproduto. Isso significa que não há emissões de gases de efeito estufa no ponto de uso.

Alta densidade energética: Por peso, o hidrogênio tem quase três vezes a densidade energética da gasolina. Isso o torna particularmente atraente para aplicações onde o peso é crucial, como na aviação.

Flexibilidade: O hidrogênio pode ser produzido a partir de várias fontes primárias de energia, incluindo gás natural, energia nuclear e energia renovável, o que o torna versátil em termos de produção.

Armazenamento de energia: O hidrogênio pode funcionar como um meio de armazenamento de energia, permitindo que a energia renovável intermitente (como a solar ou eólica) seja armazenada e utilizada posteriormente.

Desafios e considerações:

Eficiência e custo: A produção, transporte e armazenamento de hidrogênio podem ser energeticamente intensivos. O método predominante de produção de hidrogênio — a reforma a vapor do gás natural — emite uma quantidade significativa de CO2. No entanto, técnicas de produção mais ecológicas, como a eletrólise da água alimentada por energia renovável, ainda são mais caras.

Armazenamento e distribuição: O hidrogênio tem baixa densidade energética por volume, o que significa que precisa ser armazenado sob alta pressão ou a temperaturas muito baixas. Isso apresenta desafios tanto em termos de infraestrutura quanto de eficiência energética.

Segurança: Embora o hidrogênio seja geralmente seguro quando manipulado corretamente, ele é inflamável e requer precauções específicas de segurança durante o armazenamento, transporte e utilização.

Infraestrutura: A adoção em larga escala do hidrogênio como fonte de energia requereria um investimento significativo em infraestrutura, como estações de reabastecimento e redes de distribuição.

Produção de Hidrogênio:

Eletrolítico: Usando eletricidade para dividir a água em hidrogênio e oxigênio através da eletrólise. Se a eletricidade for derivada de fontes renováveis, o hidrogênio produzido é considerado “verde”.

A partir do gás natural: Através do processo de reforma a vapor, o metano é convertido em hidrogênio e dióxido de carbono. Este é o método predominante atualmente, mas resulta em emissões de CO2.

A partir de fontes biológicas: Bactérias e algas podem produzir hidrogênio através de processos biológicos.

Células a Combustível: Dispositivos que convertem o potencial químico do hidrogênio e de um agente oxidante, geralmente oxigênio, diretamente em eletricidade. São consideradas uma opção promissora, especialmente para veículos.

Armazenamento e Distribuição: O hidrogênio é um gás de baixa densidade, o que apresenta desafios para seu armazenamento e transporte. Pode ser armazenado sob alta pressão em cilindros, como líquido em temperaturas muito baixas ou em materiais sólidos que podem “absorver” o hidrogênio.

Aplicações no Transporte: Carros, ônibus, trens e até aviões alimentados por células a combustível.

Energia: Usado em turbinas para geração de eletricidade ou armazenado para uso em períodos de alta demanda.

Indústria: Como matéria-prima em vários processos industriais.

Embora o hidrogênio tenha um grande potencial como fonte de energia limpa, a transição para uma economia do hidrogênio requer avanços tecnológicos, redução de custos e desenvolvimento de infraestrutura. No entanto, dada a necessidade urgente de soluções de energia sustentável para combater as mudanças climáticas, o interesse e o investimento no hidrogênio como fonte de energia estão crescendo rapidamente em todo o mundo.

A origem da energia do hidrogênio está na sua capacidade de combinar-se com o oxigênio, liberando energia no processo. Essa reação é a base das células a combustível e da combustão direta do hidrogênio. O conceito fundamental é que, quando o hidrogênio (H₂) reage com o oxigênio (O₂), forma-se água (H₂O) e libera-se energia. Esta reação é exotérmica, o que significa que ela libera energia sob a forma de calor.

Combustão Direta: O hidrogênio pode ser queimado diretamente em uma chama, semelhante à forma como queimamos gás natural ou gasolina. Quando o hidrogênio é queimado, ele se combina com o oxigênio do ar para formar água, liberando uma grande quantidade de energia no processo. Essa energia pode ser usada para gerar calor ou para impulsionar turbinas e motores.

A capacidade do hidrogênio de liberar energia ao reagir com o oxigênio é a base de seu potencial como portador de energia. No entanto, é importante notar que o hidrogênio não é uma fonte primária de energia por si só; ele é um vetor energético. Isto significa que o hidrogênio precisa ser produzido a partir de outras fontes de energia, sejam elas fósseis (como o gás natural) ou renováveis (como energia solar ou eólica através da eletrólise da água). O valor do hidrogênio como um portador de energia está na sua capacidade de armazenar energia, transportá-la e liberá-la quando necessário, de forma limpa (sem emissões de carbono quando utilizado).

E as cores?

As “cores” associadas à produção de hidrogênio referem-se às metodologias e origens energéticas utilizadas para produzir o hidrogênio e ao impacto ambiental resultante. Essas designações ajudam a entender a pegada de carbono e o quão sustentável é a produção de um determinado hidrogênio. Aqui estão as cores mais comumente referenciadas e seus significados:

Hidrogênio Cinza:

Origem: Produzido principalmente a partir do gás natural através do processo de reforma a vapor.

Impacto Ambiental: Este método resulta em emissões significativas de CO2 porque o metano (CH4) no gás natural é convertido em hidrogênio e dióxido de carbono.

Hidrogênio Azul:

Origem: Também produzido a partir de combustíveis fósseis, semelhante ao hidrogênio cinza.

Impacto Ambiental: A diferença-chave é que as emissões de CO2 resultantes são capturadas e armazenadas através da tecnologia de captura e armazenamento de carbono (CAC), reduzindo as emissões totais.

Hidrogênio Verde:

Origem: Produzido através da eletrólise da água, onde a água é dividida em oxigênio e hidrogênio usando eletricidade.

Impacto Ambiental: Se a eletricidade usada no processo for gerada a partir de fontes renováveis, como solar, eólica ou hidrelétrica, o hidrogênio produzido é essencialmente livre de carbono. Por isso, é chamado de “verde”.

Hidrogênio Turquesa:

Origem: Produzido a partir da pirólise do metano, um processo que quebra o metano em hidrogênio e carbono sólido.

Impacto Ambiental: Como o carbono é capturado na forma sólida (geralmente como grafite) e não é emitido para a atmosfera como CO2, este método tem potencial para ser mais limpo do que a reforma a vapor tradicional. Pode ser uma opção sustentável, mas a tecnologia ainda está em estágios iniciais de desenvolvimento.

Hidrogênio Branco (também chamado de Hidrogênio Natural):

Origem: Encontrado em sua forma natural não necessitando de qualquer sistema de produção. É o Hidrogênio mais sustentável de todos!

Impacto Ambiental: Não se sabe muito sobre o hidrogênio branco, com pesquisas em andamento. Em sua produção, são geradas poucas emissões de carbono. Mas, tal como o hidrogénio rosa, pode haver outros impactos ambientais.

Hidrogênio Rosa:

Origem: Este é um termo menos comum, referindo-se ao hidrogênio produzido por eletrólise alimentada por energia nuclear.

Impacto Ambiental: Dependendo das perspectivas sobre a energia nuclear, ele pode ser visto como de baixo carbono, embora haja outras preocupações ambientais e de segurança associadas à energia nuclear.

Hidrogênio Amarelo:

Origem: Produzido por eletrólise gerado com energia solar.

Impacto Ambiental: fonte de energia totalmente livre de emissão de carbono.

Hidrogênio Preto:

Origem: Obtido a partir da gaseificação do carvão. O hidrogênio preto provém do carvão betuminoso.

Impacto ambiental: Como o hidrogênio cinza, tem uma pegada de carbono alta, com emissões significativas de CO2 e ao uso do carvão como matéria-prima.

Hidrogênio Marrom:

Origem: Obtido a partir da gaseificação do carvão. O hidrogênio preto provém do carvão lignito (baixa qualidade).

Impacto ambiental: Como o hidrogênio cinza, tem uma pegada de carbono alta, com emissões significativas de CO2 e ao uso do carvão como matéria-prima.

Hidrogênio Verde-Amarelo:

Origem: Sendo considerado um processo brasileiro de produção por eletrólise gerado com energia de biogás e etanol. Ainda não está totalmente definido esse caminho de transição energética dos combustíveis fósseis para o Hidrogênio Verde-Amarelo.

Impacto Ambiental: produção mais sustentável, porém com uma pegada variada dependendo dos processos de obtenção do biogás e do etanol.

Essas designações de cores ajudam a diferenciar as diversas formas de produção de hidrogênio em termos de seus impactos ambientais e pegadas de carbono. À medida que a sociedade se move em direção a soluções de energia mais limpa, a produção de hidrogênio sustentável é vista por muitos como uma das chaves para uma boa transição energética.

Com tudo isso encerro o texto de hoje repetindo a frase inicial: Só sei que nada sei ou não sei que nada sei?

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Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade