Primeiro de Setembro 2023

Alan Dubner
8 min readSep 1, 2023

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Floresta Viva ao invés de só Floresta em Pé!

O verão nos EUA e Europa, as queimadas (Canadá, Havaí, Grécia). Inverno de 40 graus no Brasil? Era da Ebulição! Emergência Climática!

“Os dados mais recentes sobre incêndios florestais confirmam o que há muito temíamos: os incêndios florestais estão a tornar-se mais generalizados, queimando hoje quase o dobro da cobertura arbórea do que há 20 anos.” https://www.wri.org/insights/global-trends-forest-fires

A semana de 4 a 11 de setembro em Belém reunião, pela primeira vez, o equivalente a mais da metade das florestas no mundo. Além dos 8 países que formam a floresta Amazônica estavam presentes as duas Repúblicas do Congo e a Indonésia. Durante os oito dias foram mais de 400 eventos paralelos com muita relevância para o atual contexto de mundo. Acredito que algo mudou, que algo emergiu, que ações reais serão realizadas ao invés de declarações vazias. Com certeza um marco para o ano de 2023!

A questão do petróleo na Foz do Amazonas é a mais sensível de todas. Primeiro porque o atual governo vem se declarando mais progressista e sustentável. Recebendo elogios e negócios do mundo todo. Depois porque a Colômbia e principalmente o Equador (com o referendo) estão tomando a frente de uma pauta que é do Brasil, deixar isso escapar pelos dedos é um erro socioeconômico que vai gerar grandes prejuízos ao país desnecessariamente. A questão dos subsídios para os combustíveis fósseis, vão cair no mundo todo num tempo menor do que se espera.

Estão enganando a população do Brasil e principalmente do Amapá fazendo-os acreditar que terão algum benefício. Assim como a Hidroelétrica de Belo Monte fez a população acreditar que haveria algum benefício para o país e principalmente para o entorno. Hoje, todos sabem, que isso não aconteceu. Por que não se menciona que qualquer retorno financeiro, da extração do Petróleo na Foz do Amazonas, só virá daqui muitos anos? Será que ainda estaremos extraindo mais Petróleo? Comparando a questão técnica do petróleo na Foz do Amazonas com a questão técnica (que foi ignorada) de Belo Monte. Nos dois episódios os ministros das Minas e Energia ignoraram as implicações técnicas. Belo Monte foi um desastre gigantesco (previsto) em todas as áreas… será que repetiremos esse erro grosseiro?

Estão usando um bordão bem antigo: o Petróleo é nosso! Nosso quem cara pálida? Colômbia e Equador já se anteciparam e mostraram quem vai liderar o assunto na América do Sul. Fico pensando que se fizermos um referendo no Brasil, qual seria o resultado? Alguém tem dúvida? Triste, né?

“Sabemos produzir energia limpa, por que insistir em energia fóssil?” Marina Silva

A COP28 está desviando as atenções da extinção dos combustíveis fósseis (caso ainda exista algum interesse que a humanidade exista) para a segurança alimentar. Será que vão expor a realidade da indústria da proteína animal? Dos agrotóxicos? Desvio interessante!

Recomendações de leituras:

Declaração de Belém ignora fósseis e não traz meta para desmate zero — https://www.oc.eco.br/declaracao-de-belem-ignora-fosseis-e-nao-traz-meta-para-desmate-zero/

Carta dos Povos Indígenas da Bacia da Amazônia aos presidentes — https://apiboficial.org/2023/08/07/carta-dos-povos-indigenas-da-bacia-da-amazonia-aos-presidentes/

Países florestais formam bloco para negociar nas COPs — https://www.oc.eco.br/paises-florestais-formam-bloco-para-negociar-nas-cops/

Sociedade pede fim do petróleo na Amazônia, mas deve ser ignorada em cúpula de presidentes — https://apublica.org/2023/08/sociedade-pede-fim-do-petroleo-na-amazonia-mas-deve-ser-ignorada-em-cupula-de-presidentes/

O ‘negacionismo progressista’ que nos governa -https://sumauma.com/negacionismo-progressista-que-nos-governa/

Bioeconomia — muita confusão sobre o conceito. A confusão não é só no Brasil, no mundo também tem confusão. Produção de Etanol não é bioeconomia, uma enorme parte do agrobusiness, também, não é bioeconomia. 100% da economia atual é 100% dependente da Natureza!

O movimento de sustentabilidade tem mais de uma centena de anos e os pioneiros são muito pouco conhecidos como Alexander Von Humboldt, entre outros. De alguma forma convencionou-se de considerar o marco inicial com a publicação de Primavera Silenciosa de Rachel Carson em 1962. Ela não foi a primeira a revelar questões que levariam a humanidade à insustentabilidade, o seu maior valor é por ter sido uma escritora bem conhecida a revelar o envenenamento da nossa comida, do solo e da saúde dos agricultores. Se não fosse por isso, sua denúncia não causaria desconforto às gigantes dos agrotóxicos. A questão emergiu de tal forma que a ONU se viu obrigada a fazer, em 1972, a primeira conferência (Estocolmo) que inaugurou os encontros, documentos, estudos e acordos que acontecem frequentemente hoje. Em 1987 tivemos dois marcos maravilhosos, primeiro foi o sucesso do Protocolo de Montreal (setembro) agindo diretamente para proteger a camada de Ozônio e o segundo foi a publicação do Relatório Brundtland “Nosso futuro comum” (outubro) que revelou a certeza de que vivemos uma crise civilizatória global com pouco tempo para reverter as consequências. Parecia que o mundo acordara e que os países iriam tomar medidas eficazes contra o que nos afligia. A Rio92 foi um marco para a sustentabilidade que imbuída de 20 anos de estudos aprofundados e questionamentos quanto aos caminhos do desenvolvimento sustentável. Ninguém poderia prever que nos encontraríamos onde nos encontramos hoje, nem o mais pessimista dos pessimistas acreditaria que na terceira década do século XXI teríamos escolhido rumar à extinção. Logo depois, ainda no século XX, publicamos A Carta da Terra, tendo sua ideia concebida durante a Rio 92 e com um trabalho maravilhoso de figuras importantes que ao longo de 8 anos criaram a nossa constituição como humanidade. Fico triste ao perceber que poucos a conhecem e muito poucos sabem o que ela diz. Mesmo o Protocolo de Kyoto (elaborado 1997) que deveria ter sido uma força tarefa para reduzir as emissões de gases de efeito estufa… não deram em alguma coisa boa como o Protocolo de Montreal. Tristeza quanto aos resultados das aguardadas COP 15 (2009/Copenhagen), Rio+20 (2012/Rio) e COP 21 (2015/Paris). As últimas três COPs e a Stockhol+50 nem se fala e a próxima COP está fadada a se desviar das questões mais relevantes como os combustíveis fósseis. E cá estamos há 60 anos da primeira Conferência que deveria reverter a crise a civilizatória, agindo como se nada estivesse acontecendo. De forma inacreditável ainda se pensa em extrair petróleo na foz do Amazonas! Oi???? R$ 335 bilhões de subsídios brasileiros para petróleo e gás! Oi???? Ainda se extrai carvão mineral! Oi???? Ainda se usa agrotóxicos em nossa comida! Oi???? Ainda se desmata a floresta Amazônica para a indústria da proteína animal! Oi???? Ainda se patrocina o genocídio para dar lugar ao garimpo ilegal! Oi??? Chega, né?

Vem aí, nesse mês, a Cúpula de Ambição Climática da ONU em Nova York!

“Ainda estamos nos movendo na direção errada. A meta de 1,5ºC está ofegante. Os planos climáticos nacionais estão ficando terrivelmente aquém. E, no entanto, não estamos recuando, estamos revidando”. “Será uma cúpula sem declarações sem sentido! Sem exceções!” António Guterres (Secretário Geral da ONU)

Só lembrando que a invasão Russa na Ucrânia completa hoje 555 dias.

Efemérides

Setembro de 2022

“Amanhã, 2 de setembro, a independência do Brasil fará 200 anos. Sim, a independência do Brasil foi decretada no dia 2 de setembro de 1822. Quem decretou a independência não foi D.Pedro I e sim a princesa Maria Leopoldina (austríaca). D. Pedro I só foi informado da independência cinco dias depois. O pintor Pedro Américo, 66 anos depois da independência, pintou um quadro (fake news) retratando o inexistente Grito do Ipiranga, a pedido de D. Pedro II. A falsa narrativa morou por muitos anos nos livros de história do Brasil. O coração de D. Pedro I veio ao Brasil (cena ridícula) para celebrar os 200 anos da independência, enquanto quem realmente a decretou está aqui sepultada sob o Monumento à Independência em São Paulo. D. Pedro I, sem o coração, também está sepultado no mesmo local que Maria Leopoldina.”

Setembro de 2021

“Pense um pouco em qual repertório de palavras e ideias suas causam desconforto ou até reações violentas contra você. Eu tenho muitas. Por favor, tenha uma escuta generosa! O voto vai contra a democracia! Comer animais é um dos principais problemas ambientais! Ler jornal é perda de tempo! Só essas três já me causam constrangimentos. Ao ouvir uma palavra ou ideia que vai contra suas crenças e valores, você reage conforme a possibilidade (maior ou menor) de lhe causar uma disrupção, uma dissonância cognitiva. Quando escuto afirmarem que a Terra é plana, que apareceu um disco voador, que é justo o que ganha uma estrela do futebol, que o aquecimento global é natural, são ideias que me causam repulsa e até um julgamento mais agressivo. No entanto posso estar enganado. Aqui no Brasil, palavras e ideias que mais causam violência estão principalmente na religião, política, futebol, preconceitos, educação e tudo que se relaciona ao Coronavírus. Vamos nos arriscar a falar das vacinas, das máscaras, do isolamento físico e até mesmo da cloroquina? Nem pensar, não é mesmo?”

Setembro de 2020

“Quando escuto dizerem as duas palavras macabras, “ano perdido” me arrepio até a alma com tamanha falta de visão em educação (me desculpem os que acreditam nisso). Como assim ano perdido? Alguém consegue acreditar que quem viveu em 2020 não aprendeu mais, comparativamente, do que em qualquer dos anos anteriores dessa década? Daqui a 10 anos, qualquer que seja a idade escolar de hoje, você acredita que o estudante aprendeu mais em 2020 ou em 2019? Em 2020 ou em qualquer dos anos de 2011 em diante? A resposta é tão óbvia que precisaria alterar completamente as métricas do que significa aprender, para achar que o ano foi perdido. Podemos, sim, afirmar que foi muito negativo em vários aspectos e até mesmo perigoso quanto a segurança alimentar, violência doméstica e tantos outros problemas que realmente estão acontecendo. O aumento do degrau social de acesso à educação, a situação insalubre dos professores, a incerteza de como será o mês seguinte e tantos outros problemas que estão ocorrendo não fazem de 2020, nem de longe, um ano perdido!

O sistema de educação brasileiro já estava quebrado antes da pandemia. O Brasil ocupa um lugar vergonhoso no ranking mundial. E por incrível que isso pareça pode ser uma grande vantagem para o nosso país. O fato de ainda estarmos no século XIX quanto a educação e tudo que estamos vivendo esse ano desmorona o sistema todo… podemos migrar diretamente para o século XXI. Fizemos isso com a tecnologia da informação no final dos anos 80. Estávamos tão atrasados em termos tecnológicos que quando resolvemos finalmente entrar, já pulamos diretamente para uma etapa mais inovadora. Enquanto os EUA e a Europa estavam se readaptando dos sistemas antigos para os novos, nós fomos diretos para os novos. Durante muitos anos lideramos mundialmente os sistemas de informação bancários, financeiros, agrícolas e outros. Não tivemos que pagar os custos de uma longa jornada de aprendizagem e amortizar o capital investido nesses primórdios de TI. O mesmo pode acontecer com a educação. Podemos ir direto para uma nova educação criar sistemas de aprendizagem que servirão de modelo para muitos países. Sim podemos nos tornar um modelo para o mundo. Resta saber se vamos continuar nessa toada onde a educação não tem importância para o país.”

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Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade