Primeiro de Junho 2024

Alan Dubner
14 min readJun 2, 2024

Tempo de Temporal, Tempo de Têmpora!

Imagine a seguinte situação: depois do trauma da tragédia da queda de um avião em que alguns de seus amigos estavam a bordo, você descobre que a cia aérea tinha diversos relatórios técnicos e avisos de que o avião tinha grandes chances de cair.

O que você sente? O que você pensa? O que você faz?

Você assiste pela TV que o presidente da cia aérea está no local dos destroços vestindo um colete da equipe de resgate e dizendo que lamenta a trágica morte dos ocupantes e que está empenhado em fazer de tudo para minimizar a tragédia desse acidente. Você escuta que não é hora de apontar culpados.

O que você sente? O que você pensa? O que você faz?

Ao longo dos dias você aprende, vê e lê as evidências que as gestões anteriores e as entidades regulatórias, também tinham essas informações e não fizeram nada. De que poderiam ter escolhido fazer alguma coisa para isso não acontecer. Pior você descobre que uma serie de medidas, resultado de anos de trabalho de especialistas, foi alterada aumentando mais ainda os riscos de queda.

O que você sente? O que você pensa? O que você faz?

É assim que me sinto, penso e movo minhas ações nessa direção com a tragédia amplamente anunciada das inundações no Rio Grande do Sul.

Todo mundo tem visto os vídeos de políticos, dizendo bobagens tão grandes que só dá para sentir vergonha alheia em quem votou nessas pessoas como, por exemplo, um vereador do PDT que em 13/05/2024 disse que as árvores atrapalham nas enchentes e que não deveria se plantar árvores. Um outro disse que todas as árvores nas beiras de estradas deveriam ser removidas. Tem aquele que posa como professor universitário, especialista em Clima, dizendo que garantia que não haveria seca no Norte/Nordeste e de que não tinha perigo algum de haver inundações no rio Grande do Sul.

Essa historinha que criei acima foi inspirada numa fala maravilhosa da Ana Toni (Secretária Nacional de Mudanças do Clima) numa audiência pública em 14/05/2024 sobre a relação entre as mudanças climáticas e a ocorrência de desastres.

Ela disse:

“O que aconteceu no Rio Grande do Sul é um grande despertar para as escolhas que a gente faz todos os dias. A mudança do clima… Imagino que ninguém aqui entraria num avião que tivesse 95/99% de chance de cair. Estaria todo mundo com um pé atrás… não vou entrar nesse avião. É isso que estamos fazendo, a gente está não só nesse avião que tem 99% de chance de termos cada vez mais esses desastres contratados agora e para as futuras gerações e tendo a possibilidade de fazer outras escolhas. Não são escolhas fáceis. São escolhas que vão depender de muito diálogo, de muito debate. A não escolha não existe mais. Quem não é parte da solução é parte do problema.”

Vale muito assistir a fala inteira dela que começa a partir dos 41 minutos e vai até 57 minutos. O trecho da fala do avião começa aos 54m30s. Imperdível esse 1 minuto!!!!

Relação entre as mudanças climáticas e a ocorrência de desastres — https://www.youtube.com/live/yFW5N7vZuzg?si=6savoe3wNxsN9uI4

E o Trump?

Foi condenado por unanimidade e no mês que vem receberá a sentença. Provavelmente a maioria dos Republicanos acreditam que o Trump será um péssimo presidente como já demonstrou inúmeras vezes, porém, acreditam também que se ele não for o candidato, os Democratas vencerão as eleições e muitos perderão suas “boquinhas”.

Allan Lichtman acertou 9 das 10 previsões que fez sobre quem ganharia a eleição para presidente nos EUA. Ele está dizendo que se o Biden não fizer muita besteira vence essa eleição. Detalhe: a que ele errou foi quando o Al Gore venceu, porém, Bush filho venceu por uma fraude na Florida, que hoje está suficientemente comprovada.

Carta a minha Neta

Oi pequena, hoje faz quatro anos que você fez emergir em mim um amor que eu não sabia que existia dentro do meu ser. Esse amor que estava adormecido, como uma semente, germinou por dentro e modificou praticamente tudo que eu entendia como o existir. A consciência ficou mais ampla, os desafios mais apaziguados, as dificuldades menores e uma valorização do Aqui e Agora.

Você veio num momento em que o mundo, pela primeira vez, parou! Parou por quê? Por que parou?

Você aprendeu logo a reconhecer o olhar e seus sinais, o som por trás da máscara, o ritmo apressadamente lento e os temores das incertezas. Sempre me pergunto qual a herança que você e os nascidos em 2020 levarão para a vida adulta. Será diferente (talvez bem diferente) dos nascidos em 2019 e dos nascidos em 2021.

Diferenças tão importantes que acredito que não caberá mais as designações como das gerações X, Y, Millenials, Z e Alpha. Não será a geração Beta, como alguns estão tentando emplacar. Será a geração 2020, 2021, 2022 e assim por diante. A minha geração dos Baby Boomers (1946/64) está rotulada em quase duas décadas, a da geração X (1965/80) em 15 anos. As mudanças pareciam grandes para mim, e achava que as gerações deveriam ser menores, mas olhando hoje em perspectiva, acredito que sejam justas. Temos a geração Y (1981/96) também chamados de Millenials (normalmente considerados após 1990), a Z (1997 a 2012) e a Alpha (a partir do início da década de 2010). Esses anos não são consenso. Acredito que o mundo está se transformando numa velocidade onde cada geração receberá uma impressão específica.

Por onde andamos antes de você nascer?

Ninguém sabe ao certo, mas acreditamos que a nossa espécie (Homo Sapiens) existe há mais de 300.000 anos. Muito muito tempo, né? Não sabemos como as outras espécies de Homo (Neandertais, Erectus, Hobit, Habilis e muitos outros) se extinguiram. O tempo que vivemos é bem curto em relação a vida nesse planeta que moramos. Para você ter uma ideia, os dinossauros que a gente sabe que existiram, já não existem mais desde 66 milhões de anos atras. Loucura, né? A sua geração deve viver até depois dos 100 anos, mas nem sempre foi assim. Há uns 100 anos a expectativa era de viver até os 50 anos e há 200 era de viver só até os 40 anos. A gente aprendeu muito em como cuidar da saúde, ao mesmo tempo que não aprendemos como cuidar da humanidade. Fazemos parte da Natureza, somos Natureza! Mesmo assim não estamos cuidando da Natureza. Isso é bem triste porque sabemos o que precisamos fazer… e não fazemos!

Para você ter uma ideia, quando você nasceu a população humana no planeta era de quase 8 bilhões (hoje já passamos dos 8b), quando a sua mãe nasceu era de 5,5 bilhões e quando eu nasci não chegava a 3 bilhões de pessoas no mundo. Sua bisavó nasceu 1934 e tinha em torno de 2 bilhões de pessoas morando nesse planeta. Percebeu que aumento grande em tão pouco tempo.

O nosso planeta, onde moramos, é apenas um ponto azul no infinito do universo.

Quando você era ainda um bebê, ficava fascinada em olhar as árvores. Eu sempre pensava que quando você aprendesse a palavra “árvore”, reduziria a possibilidade de dar nome a cada uma dessas, tão diferentes, formas de vida. As árvores, tão importantes para nossa sobrevivência, estão sendo cortadas, queimadas e arrancadas com correntes de uma forma tão cruel que é difícil entender por que pessoas aceitam cometer ações que vão contra todos nós e principalmente para as futuras gerações. A sua geração e as próximas! Para você ter uma ideia uma árvore com 20 metros de diâmetro na copa (comum na Amazônia) produz 1.000 litros de água por dia com a sua transpiração (evaporação). A floresta Amazônica tem quase 400 bilhões de arvores gerando muita água que flui pelos rios voadores. É mais água que o maior rio do mundo: o rio Amazonas.

Aliás, a água é muito importante para nossa sobrevivência. Apesar de ter muita água no planeta, mais de 70%, a grande maioria é salgada (97,5%) e a doce tem apenas 2,5% da água do mundo. Além disso, a água doce, está dividida em geleiras e calotas polares com 68,7%, água subterrânea com 30,1% e sobra apenas 1,2% (dos 2,5%) para água superficial e atmosférica (rios voadores). Ou seja apenas 0,03% da água do planeta. Bem pouco, né? E ainda assim nós estamos desperdiçando e poluindo essa pouca quantidade de água.

Em torno de 70% do consumo dessa água doce vai para a agricultura, sendo os agrotóxicos os grandes poluidores dessa água. O pior é que uma grande quantidade de produtos agrícolas vão para alimentar os animais que depois são abatidos para serem comidos. Espero que quando você estiver lendo essa carta, você não esteja comendo animais. Esse é, talvez, o mais importante problema ambiental que pouca gente quer falar disso… mesmo os ambientalistas.

Enfim, como eu disse NÃO estamos cuidando de nós, Natureza!

O Brasil é um país diverso, com a contribuição de milhares de culturas e saberes. Somos um pouco de tudo e de todos os lugares no mundo. Temos uma história que foi contada de muitas maneiras diferentes e nas escolas procuram vender a história oficial do dia. Não sei qual será a da sua época.

Mas de maneira resumida um primeiro marco é a vinda dos europeus pouco antes de 1.500. Antes disso existiam civilizações não tão sofisticadas quanto as da Mesoamérica [Mayas (legal, né?), Toltecas, Astecas, Olmecas] nem dos Andes como os Incas. Tivemos cultura Marajoara, Tapajônica, Sambaquis, Terra Preta e outras. A maravilhosa antropóloga brasileira Niéde Guidon fez descobertas importantes que deixam em dúvida a ideia original de que a ocupação das Américas foi realizada por Asiáticos pelo estreito de Bering. Luzia um dos fósseis datados de 11.500 anos seria uma prova da possibilidade de ocupação vinda por navegação. Enfim o importante é que quando os Europeus começaram a colonizar o Brasil já tínhamos de 15.000 a 35.000 anos de história. Bastante tempo, né?

Uma das coisas mais impressionantes que existiam antes da chegada desses Europeus eram os Peabirus, estradas que cortavam a América do Sul toda, facilitando o transporte do litoral para o interior. Muito impressionantes e até hoje não se sabe a origem delas. A maioria desses caminhos foram destruídos e restam pouco vestígios deles.

Outra coisa interessante é a possibilidade de que o nome Brasil não venha da árvore Pau-Brasil (adoro a ideia de que nosso país vem do nome de uma árvore) e sim de uma lenda Celta de uma ilha mágica chamada Hy Brasil. Sabemos que tentaram dar outros nomes como Monte Pascoal, Ilha de Vera Cruz, Terra Nova, Terra dos Papagaios, Terra de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz e nenhum pegou. Quem sabe nosso nome venha desse paraíso terrestre da mitologia Celta: Hy Brasil.

A história do nome do Rio de Janeiro, onde nasci, também é interessante O nome da cidade tem várias versões. Desde a de que o francês Villegagnon ao entrar na Baia de Guanabara (nome dado pelos indígenas Temiminós) confundiu a baia com um rio e era janeiro. A mesma versão é atribuída ao navegador português Gaspar de Lemos em 1502. A cidade foi fundada por franceses em 1.555 e denominada França Antártica. Oficialmente a data é 1º de março de 1565, data que se estabeleceram um aldeamento português para combater os franceses que só foram “mais ou menos” expulsos em 1567. Ou o ano de fundação deveria ser 1.555 ou 1.565, 1567 não faz sentido algum. O local já era habitado pelos indígenas das nações Temiminós e Tupinambá (Tamoios).

Acho melhor dar uma acelerada no tempo e sair do Brasil para o mundo.

No século 20 tivemos duas guerras mundiais que não foi o mundo todo que participou, mas causou consequências no mundo todo. Tivemos a gripe espanhola que foi muito mais terrível que o COVID19. Tivemos a percepção de que influenciamos a temperatura do planeta com nossas ações. Simbolicamente entendemos que o movimento começa com o livro Primavera Silenciosa da Rachel Carson lançado em 1962, que gera o primeiro encontro das Nações Unidas em 1972 em Estocolmo e foi gerando percepções cada vez mais apuradas de que era real e urgente alterar isso. O documento “Nosso Futuro Comum” lançado em 1987 marcou o caminho para a sustentabilidade mundial. Foi criado em 1988, o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) reunindo cientistas do mundo todo para trazer informações precisas e confiáveis. A Eco92 no Rio abriu o caminho para muitas iniciativas como as Conferências do Clima (COP), documentos, acordos de cooperação e principalmente a Carta da Terra (lançada em 2.000) nossa Constituição como Humanidade. Em 2006 quando o Al Gore lançou o livro e o filme “uma Verdade Inconveniente”, ganhou até o Nobel da Paz, parecia que ninguém mais ia duvidar da ciência e das evidências das mudanças climáticas. Não era mais um “abraçador de árvore” ou um “ecochato” e sim uma das pessoas com a maior reputação mundial. Pois é…. a força do negacionismo, da corrupção e da ambição desmedida não permitiram que a humanidade virasse o jogo. A Crise Civilizatória só piorava!

No último ano do século 20 (2.000), as pessoas ainda estavam se recuperando da fantasia criada de que o Bug do Milênio (Y2K) ia acabar com o mundo como o conhecíamos. Essa farsa criou uma indústria que se desenvolveu e enriqueceu vendendo soluções falsas que aprisionavam as empresas a gastar desnecessariamente uma fortuna e ficar refém de seus programas de “proteção tecnológica”. Essas empresas de software ficaram gigantes. Foi muito triste assistir a pânico que foi gerado por nada. Você talvez assista uma farsa parecida quando tiver 17 anos. Trata-se do Y2K38 que, similar à cilada do Y2K anuncia que o mundo vai ter um grande problema em 19 de janeiro de 2038. Acredito que estão contando que os executivos das grandes empresas eram crianças ou nem tinham nascido quando a farsa do bug do milênio aconteceu.

No primeiro ano do século 21 (2001) o ataque terrorista de 11 de setembro, nos EUA, marcou o mundo para sempre e gerou uma ascensão de totalitarismo na política. O mundo que parecia estar indo na direção da paz, deu uma guinada e foi para o caminho do ódio e da violência. Isso acontece com a polarização e a geração de mentiras que as pessoas escolhem acreditar.

Quando você estiver lendo essa carta, o mundo estará bem diferente de hoje. Em parte, melhor, em parte pior.

Hoje se acredita que a inteligência artificial é inteligente. Ela nem é inteligente e nem mesmo artificial. Quando você estiver lendo essas palavras os modelos gigantescos de linguagem (LLM) serão uma ferramenta útil em praticamente qualquer aplicação. A boa notícia é que para operá-los teremos que usar, muito mais, nossa inteligência. Diferente dos aplicativos de TI que exigem programadores que conhecem a linguagem de programação e precisam de muito trabalho braçal para executarem os programas. Para tirar o maior proveito da IA será necessário muito vocabulário, muita leitura, muita cultura. Será necessário ser um polímata, um nexialista e isso é uma evolução. Uma boa notícia para a geração 2020, 2021, 2022… 20XX! A qualidade intrínseca da humanidade irá naturalmente melhorar.

Para isso as escolas precisam parar de parecer presídios para serem jardins, parques, bosques, hortas. Será impossível parar de aprender o tempo todo, portanto se for para existirem escolas que sejam para nos conectar com a Natureza que somos. Que possamos aprender uns com os outros. Que possamos aprender e apreender para sermos o que somos. Que não tentem nos padronizar, nos rotular, nos medicar. Que o Amor seja a força motriz da aprendizagem.

Para isso precisamos reduzir quanticamente as desigualdades. Somos diferentes, portanto, desiguais. Porém precisamos reduzir a distância dessas desigualdades. Precisamos de uma distribuição mais justa, mais compatível com quem somos e com quem queremos que o outro seja. Acredito que devemos fazer essa transição pela consciência e não por uma lei que geralmente transfere a desigualdade apenas de um lugar para o outro, como assistimos muitas vezes isso acontecer. Isso vai acontecer, é só uma questão de escolhermos como vai acontecer. Não deixar que o poder finja que vai fazer acontecer enquanto, tendo nos distraído, aumente seu poder.

Precisamos cuidar mais da saúde do que da doença. Precisamos cuidar do nosso estilo de vida, dos nossos pensamentos, das nossas crenças e valores. A medicina será um acompanhamento de nossos sinais de vida, sinais de bem-estar e interferir quando o início do início do início de algum desequilíbrio, algum mal-estar querer emergir. A medicina vai nos ajudar a harmonizar e buscar de volta o equilíbrio. Simples assim!

A política vai expurgar esses politiqueiros que falam e fazem tanta bobagem. Vamos fazer isso não pelo voto, isso já sabemos que nunca funcionou, não há por que acreditar que agora vai funcionar. Vamos fazer pelas ações da sociedade civil, pela indiferença quanto a esses oportunistas. Vamos fazer por nós, por nós todos! Ao mesmo tempo vamos valorizar esses políticos maravilhosos que estão a serviço do servir, que são genuínos, íntegros. Vamos apoiá-los no que precisarem. Vamos colocar luz, cada vez mais luz nos que tem a missão, o propósito de genuinamente servir.

O núcleo da ONU não tem mais como continuar da maneira que está. Vamos salvar o que resta de bom e criar mecanismos de suporte via sociedade civil. Isso é o que já está acontecendo nas COPs. A vergonhosa performance de ações da entidade diante das emergências climáticas. Nas COPs o que realmente funciona é a participação paralela da sociedade civil. Com força desde a Rio+20 com a Cúpula dos Povos e nas COPs desde a COP20 (Peru), se consolidando em Paris em 2015. Temos um gap em Dubai, no ano passado e nesse ano no Azerbaijão. Acredito que na COP30 voltaremos com força, deixando a ONU de lado.

Talvez, quando estiver lendo essa carta, muita gente tenha comprado terrenos, do Elon Musk, em Marte como compraram do Mark Zuckerberg no Metaverso. Talvez ainda tenha alguém comendo animais apesar das evidências do mal que faz a sua saúde e a do planeta. Talvez ainda tenha alguém do agronegócio que não aderiu as agroflorestas ou outros meios sustentáveis. Talvez ainda tenha algum político falando que as árvores atrapalham em relação às inundações, ou pensa que algum eleitor vai acreditar quando disser que o desastre foi uma surpresa. Espero, espero mesmo, espero muito que a Floresta Amazônica não tenha passado do ponto de não retorno. Espero, do verbo esperançar, de que você esteja bem e feliz!

Te amo pequena e o que faço é para que vocês tenham um futuro melhor possível!

Efemérides

1º de junho 2023

“Por que alguém, em sã consciência, faria mal aos seus filhos e prejudicaria o futuro de seus descendentes? Por que uma mãe, em sã consciência, daria alimentos com veneno aos seus filhos? Por que um empresário, em sã consciência, aceitaria fingir que está agindo de forma sustentável sabendo que está prejudicando a sociedade e o meio ambiente? Por que um político, em sã consciência, se prestaria a mentir para favorecer interesses econômicos escusos? Por quê?”

1º de junho 2022

“Hoje foi um momento histórico num evento em Estocolmo celebrando os 50 anos da primeira conferência da ONU. O encontro contou com a presença da jovem indígena ativista Adri Maffioletti (foto acima) que liderou a conversa e traduziu para o público local as vozes das lideranças indígenas da Amazonia do distante Vale do Javari (Aldeia Maronal do povo Marubo) e do Cacique Almir Suruí da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, Rondônia. Txai Suruí, que foi a primeira indígena a fazer um discurso (notável) na abertura de uma COP (COP26 Glasgow), também deveria estar presencialmente nesse evento em Estocolmo, mas seu voo atrasou muito e não conseguiu chegar.”

1º de junho 2021

Num momento em que a polarização reina, falar sobre qualquer tema não gera diálogo e sim o ódio da torcida oposta. E os reféns da mídia não conseguem submergir para ouvir as mais coloridas vozes da nossa interdependência.

A chamada pós verdade impera num ambiente que incendeiam as cognições e quando alguma dissonância aparece no front é logo calada pela nossa atávica dificuldade de lidar com as dissonâncias cognitivas.

1º de junho 2020

“Oi pequena, você nasceu no primeiro dia do mês do meio ambiente. Que bom presságio! Claro que seu avô aqui torceu para ter sido no dia 5, mas com tanta coisa para ser e fazer nesse mundo… melhor mesmo chegar antes!

Quando te vi pela primeira vez tive a sensação de que você também me viu. Senti o peso do legado e do futuro por vir. Senti o frescor da tarde e das folhas no chão de outono. Apesar da máscara, seu avô estava sorrindo de amor.”

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Alan Dubner

Consultoria em Sistemas de Aprendizagem e Educação para Sustentabilidade